Neste sábado, realiza-se a primeira Jam Session da trupi que já tem agenda repleta em 2010. A Roda de Improvisação GEEL & Convidados acontece no Centro de Cultura Dr. Henrique Ordovás Filho, das 14h às 17h30min. A apresentação possibilita aos participantes manifestações corporais livres e envolve diferentes intervenções artísticas. O evento cultural conta com o apoio da Secretaria da Cultura de Caxias do Sul, do Projeto CCOMA, CXRS, DCE/UCS, e tem entrada franca.
viernes, 20 de noviembre de 2009
GEEL - História
O Grupo de Estudos e Experimentação em Laban nasceu como um projeto de dança contemporânea, financiado pelo Fundo Pró-Cultura, em 2007. Os integrantes se baseiam nos estudos de Rudolf Laban que fundamentou sua teoria na arquitetura do corpo. O teórico húngaro, do início do século XX, priorizou: o corpo, o espaço, o esforço e a forma. Além de interpretes, os bailarinos são criadores e dialogam com o ambiente, a música e as possibilidades de interação.
No início, a missão da idealizadora e coordenadora do GEEL, Fernanda de Andrade, era promover oficinas de dança abertas à comunidade. Mas, em 2008, surgiram convites para apresentações e o grupo aceitou. A primeira foi na Universidade de Caxias do Sul e em seguida na praça Dante Alighieri, durante a Semana do 8 de Março. No mês de outubro do mesmo ano a tríade esteve no palco da Mostra Coreográfica Estadual Universitária, em Montenegro. Mais tarde, em junho de 2009, Alexandra de Castilhos Moojen, Fernanda de Andrade e Taíze dos Santos ganharam o 3º lugar no Festival de Dança de São Leopoldo.
Recentemente, o grupo recebeu três novos membros. Eduardo Bidese, Jonattan Oliveira, e Roberto Silva, que vêm da dança de salão, literatura e teatro, respectivamente. A diversidade criativa dos seis resulta numa transdisciplinariedade que o público capta de imediato.
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martes, 3 de noviembre de 2009
Como la Sábana
Veo lejos las estrellas brillando tras su lenta muerte. Ellas me piden algo y muestran el camino abajo del cielo. "Él no se apagó. Alumbrolo!". Todavia me siento libre y preso como la sábana que se vuela colgada en el tenderero. Y así se cierra la noche recebida de luz y dudas para sanarlas cuando llegue el sol.
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Da Magia à Sedução
FEITIÇO
Amas Veritas
"Ele assobiará minha música favorita...
Ouvirá meu chamado a distância.
Será maravilhosamente bom.
Montará um pônei ao contrário.
Saberá virar panquecas no ar.
Sua forma preferida será a de uma estrela.
E ele terá um olho verde... e o outro azul..."
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miércoles, 28 de octubre de 2009
Night Status
Em Caxias, de madrugada na rua, só tem prostituta, assaltante e estudante de publicidade!
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martes, 13 de octubre de 2009
VERNISSAGE

Clarissa Daneluz, Felipe Esteves da Silva, Giovana Grison, Jonatan Oliveira, Maria Helena Sartori, Mona Carvalho, Nana Corte, Ramon Tissot e Sheila Zago são os co-curadores da exposição Coleção Vicinal, que se inicia amanhã, às 19h30, no Museu Municipal.
A mostra integra o Programa de Residências Artistas em Disponibilidade da 7º Bienal do Mercosul e tem a assinatura do artista e curador chileno Gonzalo Pedraza.
http://www.clicrbs.com.br/pioneiro/rs/impressa/11,2682754,1217,13308,impressa.html
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lunes, 5 de octubre de 2009
ensaio fotográfico
corrente sem camisa
a morder liberdade
sobre bolas de ar
sexy boca entreaberta como os olhos
travesseiros, óculos escuros, porta-retratos
objetos-nus-pés
jeans, blazer sem camisa, roupa da intimidade
peito amarelo, luz do sol
apoiando o criado-cego
costas vencendo a cabeceira
pelo chão de café e papel
recostado na árvore lendo
uma revista ou livro
a tocar sinos em notas esquecidas no violão,
enquanto a cortina voa e volta,
talvez de boné.
E o canto? Entre os dedos da mão...
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miércoles, 30 de septiembre de 2009
TRABALHO MATA

O principal executivo da operadora France Telecom, Didier Lombard, tem recebido pedidos para renunciar ao cargo. A manifestação começou depois do anúncio do vigésimo quarto ato de suicídio entre funcionários, em menos de dezoito meses. O caso mais recente foi de um empregado de cinquenta e um anos que se suicidou na última segunda-feira. Já pensou se a moda pega na Brasil Telecom? Você iria começar a receber ligações do tipo 'O CHAMADO'.
Depois dizem que trabalho não mata!...
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miércoles, 23 de septiembre de 2009
Sintomas
Se o amor não te fizer perder ou ganhar apetite, se distrair nas aulas interessantíssimas de semiótica e por na sua face um leve sorriso permanente enquanto andas: não terá graciosidade!
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martes, 22 de septiembre de 2009
Quem sou
Quanto mais digo quem sou, mais me afasto da minha essência.
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lunes, 14 de septiembre de 2009
Téki Tedesco
Okay.
Eu estou, como de costume, atrasado. Estamos agendados para nos encontrarmos no MC café às 14H30 de uma sexta -feira primaveril. Desço do autobus às 14h40 e logo passo pela frente do lugar. Onde o anacoclicker de óculos escuros já lê uma Cláudia a minha espera. "Olá","hOla", trocamos em pé. Enquanto o entrevistado almoça, eu divago quase sem sentir sobre a auto-entrevista que li, by Oscar Wilde, de 1823.
Já de estômago abastado, o convido a darmos início.
Ele, filho único, de "razão social" Alexandro Tedesco Rigon, teve seu nome de bastismo sugerido por um padre na maternidade. Divino, daí! Foi uma de suas tias quem o nomeou Téki: o promoter Beats de vinte e quatro anos que há sete vive em Caxias.
Na época, sai de Veranópolis para cursar cinema/tv com Wolf Maya. A oficina não acontece. Mas como já está instalado opta por ficar e arriscar-se nas artes cênicas, por um tempo. "Meu sonho era trabalhar no Projac e beijar a gostosona da novela", graceja. Em seguida é contratado pela Way e mais tarde pela Beats. "Me apaixonei pela noite e pelas pessoas", relembra. Com isso, veio a atração pela graduação de Relações Públicas, a qual conclui em 2011.
Embora admire o teatro, e principalmente as produções do Raulino Pezzi, visita mais o cinema e idolatra a tv. "Assisto mtv, multishow, seriados e muita programação aberta. As pessoas chegam pedir pra eu parar de falar nele, mas eu amo o Silvio Santos!" diz-sem-medo-de-ser-julgado.
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perguntando a Téki Tedesco
Óbvio, me acho muito atraente (risos).
CONTE-ME ALGO, SE NÃO EU INVENTO!!!
Escrevo, às vezes. Ah! Não sei dirigir e nunca dei biquinho.
SE VOCÊ PUDESSE FAZER UM ANACOLUTO NA PISTA, O QUE SERIA?
Eu mandaria todo mundo se beijar!
UM BALDE DE QUALQUER COISA:
Comida japonesa.
QUAL TEXTO DO BLOG VOCÊ MAIS CURTIU?
“Eu me casaria hoje"! Realmente não gosto do script, sonhamos com uma linha convencional, porém, o verdadeiro amor sempre chega de surpresa. E num piscar de olhos podemos estar unidos para sempre. Sem medo do que possa acontecer amanhã! E como você está no seu texto, não me uniria a alguém por solidão ou qualquer outro interesse, mas sim, por amor!
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anacolutando com Téki Tedesco
***
Gratíssimo, Téki. Foi um prazer o nosso papo no MCcafé!
Besitos del JOLI.
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jueves, 10 de septiembre de 2009
Irresistível
Não se trata de ser fácil ou difícil. O amor é irresistível.
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sábado, 5 de septiembre de 2009
Amor sem pires
Como uma copo de leite,
se inclina alta ao vento
a espera da chuva.
Sob o tempo:
taça d'água,
berço branco,
inflorescência.
Abajur das pétalas na espádice.
Ela está ali!
Em um jardim daltônico,
a aguardar olhos de mil cores
para um chá das cinco atrasado.
Amor sem pires...
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viernes, 21 de agosto de 2009
Fabrício Carpinejar
Quando a gente guarda a alegria, ela diminui. Quando a gente guarda a dor, ela aumenta. Meus sentimentos não freqüentaram igual escola. A esperança se formou em escola pública. A avareza saiu de escola particular. Meus sentimentos mudam de freqüência, não têm a mesma escolaridade. Muitos não completaram o Ensino Fundamental. Minha raiva é primária. Xingo mudanças de pista sem pisca no trânsito, enlouqueço em filas, abomino preconceito, conversa alta no cinema e ser abandonado no restaurante. A raiva vai agredindo antes de refletir. Minha ternura já é pós-graduada. Posso me condoer se um caramujo demora uma semana para atravessar a parede da sacada ou adoecer se um passarinho é pisoteado pela rua. Bipolar é pouco para mim, sou multipolar. A depressão é somente um entusiasmo que pensa demais.
Predomina o hábito maniqueísta de uniformizar o perfil das pessoas, de fechar a conta, de concluir se alguém presta ou não presta, eliminando as contraprovas. Se o cara é um péssimo marido, conclui-se que é também um péssimo pai. Não é assim. Pode ser um péssimo marido e um excelente pai ao mesmo tempo. Pode trair, discutir e brigar com a mulher e cuidar dos filhos de um jeito amoroso e único. Pode ser um gestor impecável no trabalho e se endividar sem limites em casa.
Minha dor é inteligente, minha alegria é burra. Não amadureci de todo, tampouco me infantilizei de resto. Sou desigual, como uma família que se divide e migra para tentar chance em outro estado. Não sofro parelho, harmônico, um naco por vez. Sofro para explodir, em uma única dose, até cansar de sofrer. O travesseiro detesta, mas nesse momento é rebaixado para toalha de rosto. Pior é quando ele se torna tapete do banheiro. Minha euforia é apressada, quis trabalhar cedo e largou os estudos. Trocou a mesada pelo cartão-ponto. Não existe harmonia entre as experiências. Minha generosidade ganha a vida trançando cestas de vime para roupas sujas. Minha criatividade monta pandorgas para engrossar o vento. Minha persistência fez MBA para se sobressair diante da concorrência. Na poesia, desenvolvo profissões extintas. Cada lembrança é uma personagem diferente em mim. Expresso a mais analfabeta emoção para demonstrar sábia serenidade mais adiante. Desisti de me censurar. Não mudo de opinião, mudo o sentimento da opinião.
(!)
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lunes, 17 de agosto de 2009
Escrever
Escrever é dizer o que os sentidos falam quando estão sem caneta.
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miércoles, 12 de agosto de 2009
-noel

E a sua vocação para ser papai
e a minha de ser filho único (mimado)
é a nossa de optar-nos antes do natal
escrever os poemas pensando em ler
...E reter os já lacrados na caixa do correio
como pedidos de presentes ao ema-noel
para lembrar que eu fui um bom menino nesse semestre
e desejo seu sorriso novo nos olhos, de cor na cor daquele moletom
Para isso, talvez um beija-flor e-mail atravesse sua janela
a cantar cem cartas ainda não escritas
desentendidas na chuva agridoce das letras
de ouvir repousado sobre quem, disse o colibri, está dentro de mim
____________________________________________
*sim, eu sei que Emanoel é com 'u': Emanuel.
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lunes, 10 de agosto de 2009
Guarda-chuva-vermelho
Eu não queria aquela carona de verdade
logro em ter eleito ir caminhando dentro da chuva
para ofertar meu braço em formação de laço com o teu
debaixo da mesma armação de varetas móveis, no meio: nós e a haste
perdendo os pingos para fora do que nos disseram
Quando desfazíamos o silêncio, resvalado pela rua
dávamos saudações em deleite do depor nossos defeitos escolhidos:
"Eu sou chato!" - "Eu falo demais!"
quiçá melhor assim começar o conto ao avesso:
malquerença antes e benquerença depois, acusação antes e absolvição depois
Quando calávamos, o pavimento cintilava em meia voz
contava sobre a tua preferência pelos mais tenros
e o meu encantamento pelos mais claros ou dourados
mas ainda que eu insista com a barba e tu em escurecê-los
nos restarão os cheiros dissolvidos de tempo e de cores
E eu teria caminhado duas esquinas mais para não te resfriar
contudo e com todos, o ônibus das onze não esperaria por essa intenção
os onze minutos que uma timedez levaria para se despedir a tua porta
com a sobremesa dos dias frios, premiando as pegadas d'água na rotunda espelhada
brilhante fosca no céu lobo, contraste sob, quem diria... o mesmo guarda-chuva-vermelho
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jueves, 6 de agosto de 2009
Diálogo pagão
- Acorde! Vamos a igreja. Aqui nós levantamos com o Senhor!
- É, mas eu durmo mais tarde do que ele!!!
***Escutei em um filme qualquer. Desses que passam de madrugada na tv aberta, antes do Chavez.
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Como certo garotinho de um comercial antigo
Percebi que junto com a tendência anos 80, que se evidencia nas vitrines, nas músicas, nos hábitos, nos cortes de cabelo, entre outras coisas, desembarcou o vírus H1N1 com essa mesma referência cronológica e semiológica. E não só ele. Ontem, o Pioneiro informou sobre um tipo novo de HIV identificado no sul da África. Visto isso, talvez não demore muito para que este último seja o alarde da década, assim como foi a há quase três.
Segundo estudos espiritualistas acerca do advento da AIDS, na época, a doença veio com a missão de deter o hedonismo sexual em detrimento do "tudo pode" a partir da leitura e prática equivocada dos conceitos de liberdade e amor. A praga também fora incumbida de romper preconceitos, porquanto os infectados eram gays, heterossexuais, idosos, jovens, cristãos, ateus, negros, brancos, homens e mulheres de quaisquer classes sociais. Com isto, a humanidade amadureceu para um equilíbrio e ciência sobre libertar e amar o próprio ser – prioritariamente –, para que o próximo representasse um indivíduo igualmente amável. E não uma drágea de uso externo para suprir a necessidade física e psicológica do sexo ou, um sanativo free lancer dos déficits emocionais.
Quanto a gripe suína, não está claro a que veio, mas representa, sem dúvida, um despertador social. Um indicativo de que algo grave paira no comportamento humano, e usa a enfermidade para se comunicar.
Será que regredimos? Será que o amor próprio virou egocentria, narcisismo, isolamento? Será que havíamos esquecido nossa fragilidade? Olvidamos que as moléstias desconhecem passaportes? Em uma cultura digital na qual vírus é um programa corrompedor de arquivos, precisamos tê-lo em verdade para nos sentirmos orgânicos? E ficarmos anti-sociais por obrigatoriedade sanitária a fim de valorizarmos a coletividade, o amor e a liberdade?
Como certo garotinho de um comercial antigo, eu diria em um tom quase inocente: “... Meu Deus, criamos um monstro!”
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lunes, 3 de agosto de 2009
Marcus Pickles
Todos são humildes. Apenas vestem-se de arrogância para sobreviver.
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martes, 28 de julio de 2009
Don Joli e a Princesa Pici

Um dia, durante uma missão de amor, Don Joli conheceu uma menina entreaberta por um bem escovado sorriso inteligente de quem retorna do oráculo distante. Ela tinha um perfume de têmpera e de papel crepom na mesma porção de notas florais que havia recolhido na volta da escola – pelo caminho. E ainda de uniforme, aceitou compartilhar com o andarilho: a mãe, as tias, as primas e, por último, mas não menos importante, o estoque de pepino em conserva.
É bem verdade que no começo a pequena garota pedira ajuda para abrir os frascos daquela iguaria popular. Para Don, a solução parecera muito simples.
_Jogue ao chão! – dissera o latino já influenciado pela fome.
Juntos lançaram mão de espadas, lanças, feitiços para romper as embalagens. No entanto, fora após algumas quartas-feiras que a distinta Princesa Pici, guardiã da dispensa, pronunciara a sugestão em tom de ordem.
_Chame o Papa! – estando crente de que o vira pelas redondezas.
Não encontrando o chefe católico, mais almoços se deram sem pepinos e a angústia nascida da sua vocação anfitriã aumentara. Assim acontecera até uma certa refeição normal de um quinto dia da semana, quando Joli refletiu alto.
_A inteligência é o controle dos instintos, não dos sentimentos. Então se concentre nesses últimos e os use para desfazer ou fazer o que desejar. Permita que algo a tenha em seu favor.
No mesmo instante a alteza mirim dobrou as mangas até os cotovelos, sentiu o que lhe ia ao peito, além do generoso sutiã – fechando os olhos –, segurou o recipiente e o destapou.
Sem mais delongas, desde então, quase todas as semanas, o almoço é em quatro: Don Joli, Princesa Pici, Rainha Rene e um vidro de pepino em conserva.
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FELIZ ANIVERSÁRIO!
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JOLI.
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Quase Amor
Ainda é difícil esperar os sábados e vivê-los durante as noites. Olhar o mapa dos dias e encontrar lacunas em saturno. Talvez haja vida nos outros bolinhos de leite, mas não nesse planeta lácteo. Ligo a tv e nenhum filme é adequado, nenhum seriado ou programa de música me entrete. Ler me parece incômodo, escrever variedades, improvável, e cantar aquelas músicas de sempre...para quê?
Quando chega a essa hora, me sorve uma irritação, uma gula, um acorde para me manter acordado, porém tudo segue igual.
Você aí, lendo antes de dormir. Ou quem sabe oferecendo um jantarzinho para os amigos, ou se oferecendo como um jantarzinho para os "amigos", agora "confortável" em recebê-los. Não sei quem é mais infeliz, quem assume sua tristeza ou quem a oculta atrás de um sorriso mussarela.
Hoje mesmo assisti uma peça teatral de temática amorosa, ou quase. Mostrava as relações como uma constância incompleta, e isso deu um aperto no peito. Será assim a vida de quem usa o coração como escudo e a alma como armadura? Qualquer coisa toca, lustra ou perfura?
Eu, realmente, espero que assim não seja. Ainda lhe encontro no meu eu inaceitável. Tenho medo de me tornar uma pessoa responsável e não conseguir mais ser artista. Tenho medo de me tornar vulnerável e não conseguir mais manter-me, aparentemente, intransigente... Batendo na sua casa às doze horas, louco para que você esteja, e também para que não. Que esteja uma ilusão quase realizada, quase emancipada, quase abandonada de um março qualquer.
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A Mandala de Áries

Estava ali na cama, lendo Wilde, e o teto me chamou pela íris. Encarei o alto como se fosse encontrar outros olhos em resposta. Deus? Não. Eu vi uma mandala.
Pude lembrar a história que ela carrega suspensa, desde aquele dia. Por alguma razão eu não a saquei junto com as coisas suas postas no guarda-chuva. Motivo? Não o sei.
Mas sabe aquelas coisas que não se percebe a existência até a falta? Na música o contra-baixo, nas poesias as estrofes, na tela a moldura...
Ela está ali, vermelha, simbólica, sobre a minha cabeça. Tentar esquecer o que é você e repousar todos os dias sob um presente seu. Irônico, não?
Eu me recordei do seu retorno em veraneio com uma pulseira colombiana e uma mandala rubra, cheia de significados, assim como sua pele mais dourada. Também, cheio de desculpas por não ter me ligado. Seu beijo estava diferente. Engraçado.
Tão logo a penduramos, fora seqüestrada; encontramos o presente vandalizado. E meu coração, quase tão trincado quanto o alvo, buscara suas janelas com as minhas já turvas. Como se não o item, mas o nosso próprio amor tivesse se fraturado.
Sem prestar atenção em minha alma e ainda colérico na ânsia de punir, você interrompeu minhas ditas nervosas, reuniu as partes, segurou o meu rosto – com as palmas – e ponderou: "Calma, meu amor. É para isso que lhe dei esse presente; para ajudá-lo a controlar impulsos e ansiedades. Ela irá atrair energias puras para afastar as que não são boas ao seu signo. Brigãozinho!"
Então, vendo tudo inteiro, tirei os chinelos e fixei ao teto da cama a minha mandala de Áries.
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jueves, 23 de julio de 2009
Petaliforme

Ontem joguei você fora... Arrumar meu quarto era uma missão desde aquele dia. O primeiro domingo ensolarado só, recontando as pétalas confetes de um jardim baldio. As trouxera para o meu dormitório, depositando nas fronhas ainda com os vestígios do seu sono, dentro das embalagens do perfume e do embrulho da pantufa; presentes já finalizados com o uso.
No semestre seguinte, também usei os marcos das janelas, onde você repousara o pé, as pastas velhas com os poemas que lhe escrevi e o miolo do dicionário de português - suporte a algumas das suas leituras.
Por fim, guardei as peças da carola das flores no envelope das fotografias que fizemos juntos, na bolsa térmica a qual lhe aquecera, e nas minhas camisetas menores que arriscara usar às vezes.
O meu dormitório havia se tornado uma passagem (secreta) petaliforme até sua presença. Santuário semiótico das visões que eu não queria ter, mas sê-las de novo antes do último equinócio, se me pudesse curar das equimoses. Não pude.
Arrumar meu quarto era uma missão desde aquele dia e ontem ingeri coragem para fazê-la sem dó. Nem tudo cabe em um guarda-chuva. Abri tudo. Expus todas as coisas sobre a cama recém feita e selecionei o que me pauta à vida. E junto aos volumes de mal-me-queres e bem-me-queres, descartei uma três por quatro sua, de regata azul, ao lado de um peixinho gordinho já desidratado. O aroma doce das recordações orgânicas incondizia com a aparência esmaecida do guardado doloroso. O passado belo se decompora enquanto eu dormia, alterara minha glicose enquanto eu sonhava, e ocupara de nada o jardim enquanto eu acumulava você no meu quarto bagunçado. Mas, ontem... Ontem, eu joguei você fora.
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viernes, 17 de julio de 2009
Doce Pantone
Eu já fui tão feliz e faz tanto já...
Era uma paz diferente daquela da infância: verde
E quase oposta à adulta: violeta
Também não era a adolescência e nem a das rugas que ainda não engravidaram no meu rosto: vermelho
Eu a chamaria de para-sempre: violino
Era a sensação de estar para alguém: amêndoa
Quando toda água acabasse ou se convertesse em chuva: azul
Uma presença ali estiaria, com um copo de sombrinhas: amarelo
Mesmo nos dias que resfriavam os olhos, havia beijos para abri-los: anil
E nos dias quentes, preguiças compartilhadas no parque: laranja
Nas fronteiras dos céus feitos quindins, bem-casados e brigadeiros, um espaço para comer doces de festa: rosa
Onde as cores se reúnem para pintar uma história, com amor e giz pastel.
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Bibliografia básica

Às vezes eu choro como uma criança que circula em prantos pela casa, apenas, para chamar a atenção. É quando eu me sinto sozinho. Vinte e quatro créditos não encontraram amigos no telefone social – será que são? E os espaços bagunçados existem aos livros; àquilo deixado de lado, ao eu deixado de lado, sem ler, e os saturados de peregrinar a bordo da minha mochila carteiro. Estes que me acompanham no ônibus, me ninam na cama, me justificam entre as colunas.
Há quem se case com a leitura ainda na infância, por prazer, a exemplo de um ser admirado; parado no silêncio das próprias imagens acústicas, movendo apenas as meninas na seqüência das frases: da esquerda para direita, de cima para baixo, ou, ainda, num cerrar lacrimoso de emoção. Outros se aliam a ela mais tarde, por necessidade cognitiva ou por civilidade. Mas eu... Eu, para não sair ou retornar só, para não testemunhar o vazio do quarto, para não dormir sem Romeu e também a fim de ter uma razão para voltar à biblioteca do bibliotecário. Ainda que não o desejando, um livro caído dos meus braços abastados, ou da estante alta bem quista, pode resolver o nada deselegante com o tudo cortês. Quando assim, paro de ler...
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jueves, 2 de julio de 2009
Os artistas
Os artistas são maleáveis com sua arte e intransigentes com seus sentimentos.
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lunes, 29 de junio de 2009
O Vento e as Etiquetas dos Sachês

O vento batendo nos pensamentos repousados à janela, vibrara as etiquetas dos chás impostas aos sachês. Ainda que já ebulidos e secos ao fundo de uma chaleira de vidro, através deles eu vira o céu, porquanto ouvira o canto dos pássaros aos homens e o canto dos homens a Deus.
A luz clareava naturalmente o livro que me propunha ler e a leitura iluminava-me. Mas recordar a interrompera para grafar o pé nu, evadido dali muito antes da infusão d'água, hortelã e sol.
Parado sobre a cama, fora quando pude sentir o mundo girar numa hibridez de sombras e fulgores como as minhas tragédias e comédias, cores e rancores... Fizera-se a compreenção que erguera meu corpo para fechar a janela, e fixar a mente sobre contos já escritos.
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jueves, 25 de junio de 2009
Sopa de Galo em Caixinha
A abertura oficial do Festival começou cerca de 19h com a apresentação de Tulio Milman. Mas primeiro: os hinos!
Pensaram que eu ia dizer "Kokobongo", né? Interdito!
... Washington Olivetto não pensou duas vezes antes de aloprar a canção do Brasil e do RG. Às vezes olhava o teto, o relógio (afinal tinha jogo do Coríntias, aliás, deste ele deve saber a letra), ou os looks dos colegas em fila indiana, o celular. Será que o patrono estava com vontade de urinar? Sei lá. Mas, se estava, ficou pior depois que a mocinha entregou a água. Vai ver foi essa causa da sua saída a la papa-léguas do evento. Mas, para mim, essas desconsiderações, tanto com as músicas quanto com os jornalístas - depois do discurso - pareceu um arrogante "eusoucriativodemais@entãoeuposso.old.zás".
"Quando Olivetto tem a pachorra de dizer 'é hora de trabalharmos com criatividade sem dispor de grande verba' e, instantes depois, apresenta o case de um cliente que comprou placas no autódromo de Interlagos, patrocinou o troféu do GP, fez um VT em homenagem à Oscar Nyemaier (autor do troféu) e veiculou no intervalo do Jornal Nacional dá vontade de levantar e tomar um vinho, comer polenta, sei lá." Satiriza o bloguista Fred.
Mas, nem tudo foi sopa de galo em caixinha. Luiz Coronel foi o primeiro a discursar, e o dono do mais apaixonado discurso do Festival. Eis algumas frases:
"Se a Publicidade dispõe de mais recursos que a educação pública no mundo, vamos fazer valer essa força."
“A objetividade e prepotência do varejo inquieta a arte.”
“Não sejam, estudantes, publicitários comuns. Ousem!”
"Um publicitário inculto é uma fábrica de abobrinha."
"Ser um cidadão não é conviver em sociedade, é transformá-la. Ser publicitário não é apenas trabalhar em uma agência. É deixar as impressões da sua presença dentro da profissão."
Após, a medalha Maurício Sirotsky, citada no último post sobre o acontecimento, homenageou William Bonner, José Galló, Yeda Crusius, Willy Haas Filho e Washington Olivetto. Durante a solenidade de abertura, os presidentes de todas as edições também foram comtemplados, mas, não apenas com o distintivo. Veja bem: um bosque do Festival foi criado para abrigá-los em forma de árvore.
Romântico, não?
Ocorreu também a entrega do Troféu Publicista Latino Americano para aos publicitários Marcello Serpa, Armando Ferrentini e Gary Bermúdez.

Gary (ALAP México), em entrevista, elogiou o país e disse que nós jovens brasileiros, acadêmicos de PP, estamos no lugar certo. "Yo aquí vengo, sobretodo, para aprender", comentou o mexicano. "Brasil y Argentina son los países más creativos de la America Latina", em triálogo comigo e Pablo Braña (Publimen - Argentina).
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miércoles, 24 de junio de 2009
Look de Festa

Causaremos frisson e descolamento de retina com o nosso doce glamour. O relógio do templo estagnará por um segundo para contemplar a história com milésimos a mais de beleza. E os faróis oscilarão acerca do nosso andar, como um facho de sol presenteado à paixão da lua para adornar duas presenças na noite.
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martes, 23 de junio de 2009
Alguns motivos para se querer isso

A colega Duani estava cheretando aquelas revistas lindas de propaganda guardadas lá nos fundos da biblioteca, e achou uns lances legais. "Vários publicitários doidos e outras coisinhas bem curiosas", digitou a dona e proprietária de blog. Mas encontrou algo mais cômico e resolveu compartilhar.
Motivos para comemorar a propaganda:
1. Fazer propaganda de mim mesmo; [FATO!]
2. Dar desculpa que fiquei até tarde no trabalho; [A criatividade nos lateja, hehe...]
3. Todo mundo reclama, mas todo mundo ama;
[Não sendo campanhas de remédios para impotência, como: ARRIBATUDO. O resto tá tri!]
4. Algumas pessoas ganharem milhões; [Sem ser um BBB?]
5. Usar roupas escalafobéticas e ninguém achar estranho; [Isso se aplica à Caxias?]
6. Usar cavanhaques e barbichas estranhas e ninguém achar estranho; [Isso se aplica à Caxias? 2]
7. Azucrinar estagiários.
[Dizem que, em agência familiar, tem: o pai, a mãe, o filho, o cachorro e o estagiário. Ou seja, o sonho de todo estagiário é ser promovido a cachorro! Hahah...]
8. Ter o que passar no intervalo de um jogo;
[Preferia ser forçado a assistir "Dona Beija" do que ver um jogo na íntegra. Aff!]
9. Testar a capacidade humana com prazos surreais; [Sempre sob pressão.]
10. Inventar termos que viram modinha; [Já me considero um neologista.]
11. Melhorar seu inglês: bussines, plsn, budget, recall, brainstorm, wireless, filmlles, less is more.
12. Melhorar ainda mais: briefing, merchandising, positioning, branding, casting.
13. Inglês super avançad: straigjt to the point, brand valuation, apettite, appel, sex appeal, viagra...[hahaha]
14. Criar Jingles que grudam que nem chiclete no cérebro; [É bom saber que alguém te ama de verdade...]
15. Sustentar os deliveres noturnos;
16. Deixar qualquer produto mais interessante;
17. Cair na armadilha que preciso do carro do ano;
18. Fazer frases de duplo sentido toda hora;
[É... a gente devia ter um botão de desambiguição]
19. Esperarmos o sua posição para entrarmos com o negócio. [oO]
20.Propaganda é a alma do negócio...
and more...|
Ia-ia-ô!
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Silêncio
Se a brisa é o ar em movimento, o som é o silêncio em comunicação.
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Mãezena
Há mais ou menos um ano...
J: _Mãe, a tia trouxe Maizena. Onde eu guardo?
S: _Não sei. Nunca tive Maizena.
[risos]
*ela nunca foi dada a intra-empreendimentos culinários, mas hoje em dia até faz uns lances com biscoito.
**o niver da canceriana foi dia 20. Ganhei um casaco de veludo (melhor não explicar).
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Inteligência
É o controle dos instintos, não dos sentimentos.
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Rock I’nbar
Rock I’nbar
| s o m s e m c o n s e r v a n t e s
[marca e slogan do esbelecimento fictício projetado para a aula de empreendedorismo]
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jueves, 18 de junio de 2009
Los Pantaloneros
J: _hOla, meu amor!
T:_Oi, meu anjo. Tudo?
J: _ Tudo sim!
T: _Sortudo. Entrevistou o Reynaldo Gianecchini! Pegou na bunda dele?
J: _Hey! Eu sou um profissional de comunicação, não uma versão voyer do Mãozinha da família Adams.
[silêncio...]
T:_O produtor dele não deixou, foi?
J:_É, foi.
[risos]
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miércoles, 17 de junio de 2009
William Bonner: O Publicitário
_Oh...Sim, Esther Ângela Herrera Marquez Laurindo de La Rua y Gandolfi. William Bonner é Publicitário!
[drama mexicano]
_Me-mijay...!!!
No primeiro dia do Festival Mundial, William Bonner, entre outros profissionais da comunicação, foi homenageado com a medalha Mauricio Sirotsky Sobrinho. O âncora do JN agradeceu direto do estúdio da Globo, justificando sua ausência física no evento. "Ética e responsabilidade social são indispensáveis à democracia e à liberdade", lembrou o comunicador nacional ao elogiar a publicidade comprometida. Assim, boanoitou os espectadores.
Quem recebeu a medalha em seu nome foi Rosane Marchetti, apresentadora do Jornal do Almoço. E, antes da sua saída do Serra Parck, se deu a entrevistinha. Confiram!
*ela finaliza dizendo que sempre trabalhou com tv, e está nessa área há 23 anos. Não sei por que pirulitos de xuxu, na hora de postar, ficou cortado. Por dios!
abraz;
Ia-ia-ô!
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viernes, 12 de junio de 2009
“Puta-velha”
Dado Schneider, criador da marca claro, após sua participação na rodada de perguntas a um dos palestrantes, socializou pelos stands do Festival Mundial de Publicidade. E, com a receptividade característica de um verdadeiro ídolo, concedeu ao blog uma entrevista pra lá de conselho de mãe com cara de tio-novo-drogado-malandrão.
Enquanto eu tomava a coca zero (com pipoca), a qual ele me fez questão de quitar (depois que eu disse três vezes que estava com sede – brincadeira), batemos o papo.
Iniciamos com uma reflexão sobre a leitura, tema recém pautado no palco. Segundo o palestrante, consultor e worshopman, a leitura é um hábito de berço. São raríssimos os casos em que há uma guinada e passa-se a devorar os livros. A influência quase sempre está numa imagem do círculo familiar, pois o exemplo funciona muito mais do que ordens expressas. “Muitos pais dizem ‘Filho, você tem que ler mais’, à exaustão, mas não têm o gosto particular pela leitura”, critica.
DADO, VOCÊ SEMPRE ENFATIZA A IMPORTÂNCIA DA LEITURA NAS SUAS EXPLANAÇÕES. QUE LIVROS VOCÊ CONSIDERA ESSENCIAIS NA BAGAGEM DE UM COMUNICADOR?
Macunaíma de Mario de Andrade, porque nós não somos consumidores americanos, puritanos. Lá a palavra vale mais do qualquer coisa; aqui tudo é relativo. Então, nós não podemos ler um livro de marketing americano produzido, por e, para um público específico, brilhante em produção acadêmica e em conhecimento de mercado, se não colocarmos essa obra de Andrade como filtro. “Sua ligação é muito importante para nós” é uma frase esdrúxula para o contexto brasileiro, pois nós somos cordiais, conotativos.
Bibliografia básica:
Macunaíma – Mario de Andrade
Vozes do Brasil – Sergio Buarque de Holanda
Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis
Casa-Grande & Senzala – Gilberto Freyre
O Tempo e o Vento – Érico Veríssimo
Um Certo Capitão Rodrigo – Érico Veríssimo
E aí, então, depois se pode pensar em livros técnicos como Administração e Marketing, de Felipe Botta, velho amansa burro... Enfim, a leitura deve começar por onde você está. Nós temos que ler de bula de remédio até almanaque de farmácia. Afinal, tudo é repertório para associação de idéias. Porque não ler romance, para entender a alma humana, de amor, sentimento?
FALE-ME UM POUCO SOBRE O SEU TRAJETO PESSOAL NA CARREIRA DE COMUNICAÇÃO.
D.S: Eu vim focadinho. Desde os treze trabalho como publicitário, e o meu primeiro dia de aula foi também o primeiro dia de estágio numa grande agência, e ai eu cresci muito rápido. Naquela época era muito fácil crescer. Eu era o Robinho. De repente eu estava no Real Madrid.
(risos)
J.M: Eu, no meu primeiro dia de aula, fui contratado para dar aula de Comunicação Social e tive que me puxar mais nos estudos para poder passar algo consistente aos meus educandos. Aprendi e cresci bastante. Foi muito bom.
D.S: Caramba... Eu lhe digo uma frase de Guimarães Rosa “mestre não é quem sempre ensina, é quem de repente aprende” [...].
D.S: ...Então, trabalhei, trabalhei, trabalhei, e cansei de ser executivo. Aí, terminei o doutorado e vi que estava na hora de ser consultor. Afinal, eu já tinha me tornado, o que se chama no mercado, uma "puta-velha" (experiente – riso). Eu vim migrando de executivo para consultor, e de consultor para palestrante/worshopista. E somente agora, com trinta de carreira, que eu comecei a desacelerar...
J.M: Vai gravar um CD!?
(risos)
D.S:...Não, não. Na verdade, há pouco tempo, gravei meu primeiro dvd ao vivo: palestra com produção. Eu adoro o que eu faço! Quando me dizem: “Bah! Mas tu estás te matando”; eu respondo, “Pior se fosse trabalho!” (risos). Faço o que eu faço com espírito de amador – o amador lida desvinculado da grana. Sou assim, às vezes.
QUE CONSELHO VOCÊ DÁ À GALERA QUE ESTÁ CORRENDO ATRÁS DO SUCESSO?
Eu sigo sendo e sempre fui uma pessoa incorruptível, ético até a medula. E, nesse mundo, onde a maioria dos que se dão bem corrompe algum tipo valor, me questionei algumas vezes se estava no caminho certo para chegar lá. E lhe digo que, agora com os meus quarenta e sete anos, sim.
Então, CALMA. Pelo caminho honesto você demorará mais, porém a sua conquista será mais sólida. Aliás, os aplausos que recebo quando subo no palco não são de graça – é o meu grande presente –, esse carinho não é uma coisa efêmera.
É isso aí, anacks!
Em breve, posto aqui a entrevista do mister advertising, como leitor do blog. Afinal, Dado Schneider também é anacoclicker!
=]
besitos;
[Imagem: Canto esquerdo do certificado do Festival autografado pelo o entrevistado.]
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miércoles, 10 de junio de 2009
Conclusão
É o último conceito que você constroi antes de bastar a procura.
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A prova real
Tente buscar uma razão para o seu sentimento. Se não encontrar, é amor.
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martes, 9 de junio de 2009
Doce Deleite – O espetáculo

Doce Deleite, de Alcione Araújo com direção de Marília Pera, trouxe nesse último sábado para o palco da UCS perfis que, normalmente, estão fora dele. A expansiva atendente da bilheteria, o contra-regra bombril, a perua dona do imóvel, o espectador solteirão, e os idosos já acomodados pelas tele-novelas.
A peça é dinâmica e propõe comunicação real. Os expectadores tornam-se as pessoas que interpretam uma platéia, deixando a passividade habitual de lado. Durante a apresentação, os atores ora são os personagens, ora são as caricaturas das suas identidades reais, fazendo sátiras com os currículos um do outro e desabafos sobre a vida artística no camarim.
_CENA_ Discorrendo sobre o caso de Godelívia, (a bilheteira) que foi demitida por estar interpretando o casal Monica Levinsky e Bill Clinton com o contra-regra, atrás da rotunda:
"Você sabia que, pela lei, a boca não é considerado um órgão sexual?"
Reynaldo, interpretando.
"Ai, meu bem... A lei não sabe o que está perdendo."
Camila Morgado, interpretando.
A técnica, de expor o making of – segundo o livro Como fazer um filme de amor, de Luiz Moura e José Roberto Torero – é um clichê do cinema atual. No Doce Deleite, essa estrutura é tida como solução cênica, já que são muitas as trocas de roupas dos atores. Esta, embora simplória, gera sentimento de verdade, humanizando os artístitas e os aproxima do público. Reynaldo Gianecchini se mostra muito mais maduro no palco, e Camila Morgado uma revelação enquanto atriz cômica. Juntos, encenam esquetes deleitosas de humor empático e inteligente que, só uma dupla de talento se dispõe a encenar.
Outro curta marcante é o da irreverente Mariângela (Giane) que ensina a melhor forma de tomar sorvete, dando dicas simples e infalíveis para que todos possam ter o máximo de satisfação com qualquer tamanho de sorvete. IMPERDÍVEL!
"O amor é o alimento dos pobres, o adorno dos ricos e a distração dos velhos..."
The end!
[Foto:Marcelo Krasilcic]
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Doce Deleite – O figurino
Nesse último sábado, segundo dia da peça Doce Deleite em Caxias do Sul, tive a oportunidade de entrevistar um dos diretores cênicos do cômico espetáculo de Alcione Araújo com a direção de Marília Pera.
Fernando Duarte, com residência fixa no RJ, viaja junto à equipe e é responsável pelos cuidados com o figurino da atriz Camila Morgado. A mesma função tem Tom Pires, incumbido de assessorar Reynaldo Gianecchini. No camarim, aguardando o elenco, Duarte e eu batemos um papo a espera do elenco. O figurinista carioca discorreu sobre os bastidores enquanto aprontava as perucas das inúmeras personagens de Camila.
Com 29 anos, e formado em administração, o fashion-staff revela que as roupas produzidas para o teatro são especiais e tem grande enfoque na praticidade. "As roupas são maquinadas. O figurino do velho, último personagem do Reynaldo, é inteiro, como um macacão", enfatiza.
J: Sabe-se que ambos os atores tiveram uma longa preparação, por volta de 11 meses, com aulas de canto, dança e ballet. Como foi o preparo do figurino?
F.D: O figurino foi elaborado por Kalma Murtinho e teve referência nos anos 60 e 70, mas principalmente nas características dos personagens. A troca de looks também teve que ser muito ensaiada. Inclusive Marília, muito exigente, acompanhou a peça por dois meses para ver se tudo estava correndo certinho.
J: O elenco e a equipe têm o hábito de fazer um tour nas cidades visitadas?
F.D: Olha, nas primeiras nove ou dez cidades, até sim. Fizemos rotas e conhecemos pontos turísticos, mas depois... Depois a gente cansa de ser turista e acaba preferindo ficar descansando no hotel.
Durante o corre-corre, Duarte fez questão de comentar que o clima dos bastidores é extremamente funcional, mas, exceto esses momentos de trabalho, o grupo é uma grande família. "Camila e Giane são uns fofos", reconhece o carioca.
Logo mais, a cobertura e crítica da peça Doce Deleite.
Ia-ia-ô!
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viernes, 5 de junio de 2009
Vejam bem...

Vejam bem...
Por conta de apuros técnicos (aquário da imprensa sempre lotado, e cam pifada) eu não pude publicar as notícias instantaneamente. Mas até a metade da semana, espero, já terei postado a cobertura em forma de uma grande reportagem, divida em:
MAKING OF
ENCUESTITAS
GALO DIÁRIO
Wainting...please!
Agora são pouco mais que 14h, eu ainda não almocei, mas já tem uma palestra rolando pra eu cobrir e um fotógrafo jeitosinho para me beij...FOTOGRAFAR.
\o/
Eu em entrevista para Record, diálogos com as celebridades do mundo dos plin-plins, um papo cabeça sobre drads na virilha, Washinton Olivetto aloprando o hino, robocops gays da Pampa, sono, abstinência, pop e Festival, você encontrará aqui!
Ia-ia-ô!
Euuuuuuuuuuuuuuuuu sou a impreeeeeeeeeeeeensa!!!
besitos;
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Ainnn... Que infortúnio!

ATENÇÃO!
A-go-ra, o baile é funk!(???)
Ia-ia-ô!
JHONNY IN FESTIVAL
FESTIVAL... FESTIVAL!
Saudações Anacks!
Well, subimos no bus que ia para o Festival, às 15h30, em frente ao Cetel (UCS) quando percebi que tinha esquecido a minha carteirinha de repórter do Festival. Por Dios! Adivinhem o que eu fiz:
A) Cheguei na recepção à imprensa e me fiz de sonso – “Ahh, puuxa...Precisava da carteirinha?
B) Cheguei na recepção à imprensa e me fiz de arrogante – “Como assim, você não me conhece???”
C) Cheguei na recepção à imprensa e me fiz de barraqueiro – “Se vocês não me derem a credencial, eu vou gritar e depois trancar a respiração até ficar roxo!
D) Cheguei... e me fiz sonso-arrogante-barraqueiro – “Carteirinha? Você sabe quem eu sou? Se não me der a credencial agora eu vou fazer um escândalo!!! – "Oh... Cris, o meu sublingual! ”
A, B, C ou D? Em breve você saberá a resposta...
besitos;
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domingo, 24 de mayo de 2009
ALANA ZILLI

A anacoclicker entrevistada dessa semana, tem - recém completados - dezoito anos, e não para! Alana Zilli é vocalista e guitarrista da banda Party Night Shots, baixista da banda Bipolar, assessora de imprensa do Sujeito Coletivo e estudante de jornalismo, mas sempre reserva um tempo para cultivar os hobbies e as relações. Praticar esportes, criar um lanche caprichado, fotografar a noite, "ocasionalmente, uma roda de violão e chimarrão com amigos também vale ouro", evidencia a luso-italiana.
Miz Zilli, teve a primeira banda formada ainda aos quatorze anos, a qual chamava-se "Saída 2". No entanto, seus primeiros ensaios se deram ainda bem antes. Aos nove, sob influência dos irmãos, um guitarrista e o outro baixista, já se arriscava na música. "Fear Of The Dark foi um dos meus primeiros solos, e aprendi com meu irmão Bruno", relembra.
Segundo fontes "seguras" (uma inquilina muçulmana e audiofóbica, de Azerbaijão), os vizinhos não sabiam o que era felicidade até a chegada da talentosa família Zilli, no bairro. Mas daí já era tarde!
...Brincadeirinha!
=]
Enfim...A dedicada rockgirl que almeja ser um ícone internacional da música, e fondue de chocolate com morango, está solteira. Porém, uma baqueta me disse que isso será, bem logo, alterado.
STATUS NO MSN
muito ocupada, não enche =]
STATUS NO KUT
"... e quer saber?Se eu pudesse eu viveria pra sempre."
STATUS NO BUDDY POKE
Alana Zilli e Beta Soares dançaram Macarena
ALANA, SE VOCÊ NÃO FOSSE VOCÊ MESMA E SE VISSE PASSANDO NA RUA, VOCÊ OLHARIA?
Com certeza,e modéstia a parte utilizaria uma daquelas cantadas fabulosas do tipo: "...mas saiu da onde linda?!?!?"
SE VOCÊ PUDESSE FAZER UM ANACOLUTO EM UMA MÚSICA FAMOSA, O QUE SERIA?
Talvez eu parafraseasse uma música.Não saberia qual agora,mas certamente a letra iria fazer menção a alguém que gosto muito,pois normalmente é esse tipo de letra que gosto de escrever, que sei lidar.
QUAL TEXTO DO BLOG VOCÊ MAIS CURTIU?
Gosto muito de Martha Medeiros. Li o texto "A dor que mais dói" na parte de Apologias e adorei. Entre os seus, gosto muito de "Flor na bota".
CONTE-ME ALGO, SE NÃO EU INVENTO!!!
Palhaços me dão medo!
ANACOLUTANDO
Um momento... o domingo seguinte ao acidente de carro do meu irmão.
Um desejo... amigos verdadeiros sempre por perto.
Um cheiro... sândalo.
OF
O nome ALANA vem do grego e quer dizer “bonita”. Olhem bem para a nossa estrela! Não é uma redundância?
__________________________________________________
Thanx, linda, digo, bonita, digo...Alana! Sucesso!
Con cariño, Joli.
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jueves, 21 de mayo de 2009
Arbítrio
Somos o que preferimos (não) ver.
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domingo, 17 de mayo de 2009
FELIPE FORTE

O estudante, e assistente administrativo, que almeja a realização profissional e trufas de chocolate, mora em Caxias do Sul há pouco mais de um ano. O solteiríssimo de 19 anos, ou há 19 anos (não vem ao caso), adora ouvir música (Beyoncé, quase sempre), sair com os amigos e navegar na web. Sua principal vontade artística é o desenho. "Eu rabisco às vezes", digita o garboso garoto de olhos verdes, em entrevista on-line.
STATUS NO MSN: If U Seek Amy.
STATUS NO KUT: Do you know your enemy?
STATUS DO BUDDY POKE: GabE d' SILVA e Felipe Forte fizeram uma batida juntos.
FE, SE VOCÊ NÃO FOSSE VOCÊ MESMO E SE VISSE PASSANDO NA RUA, VOCÊ OLHARIA?
Olharia, mas eu olho pra tanta gente mesmo... hehe.
TÁ, AGORA É SÉRIO...CHICO MIO, SE VOCÊ PUDESSE FAZER UM ANACOLUTO NA TV BRASILEIRA, EM HORÁRIO NOBRE, O QUE SERIA?
Eu pediria pelo fim de todos os preconceitos.
A perguntinha altruísta, rs: QUAL TEXTO DO BLOG VOCÊ MAIS CURTIU?
Eu gostei de um poema que comentei. O Deleite.
CONTE-ME ALGO, SE NÃO EU INVENTO!!!
Eu não sei assobiar!
ANACOLUTANDO
Um momento... quando estou na casa dos meus pais ouvindo música.
Um desejo... chegar ao fim e ver que tudo valeu a pena.
Uma verdade... o respeito que tenho pelos meus amigos.
OF
O Mister Forte nasceu no Dia do Sexo, 6 de setembro. Ele soube hoje! Alguém tem alguma idéia do que dar de presente para o menino de virgem?
___________________________________________________
Obrigado pela entrevista, Fe!
Com Carinho, Joli.
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Etiquetas: JoliClickers
A Semiótica Cênica do Amor Romântico
Eu sei que eu sou
a semiótica cênica do amor
romântico
Você entendeu ao encontrar
o poema vermelho
na sua sala de estar
Eu sei que eu sou
a semiótica cênica do amor
romântico
Você entendeu, soube interpretar
a pipoca simpática, que caiu no sofá
antes de você me beijar
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sábado, 16 de mayo de 2009
Mi Mejor Recuerdo
Y yo me acuerdaré que he tenido el amor. Es lo mejor que mi fraca voz podrá decir para aquellos que, reciente, han aprendido hablar y amar. Por supuesto, mi cuerpo conocerá la edad y después se morirá. Mi arte... mi arte se quedará en la eternidad, todavia; adentro de los corazones que me han mirado a pasar.
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Es cre ver
Dos dias, vivo o espaço entre as palavras. Escrevo intensamente.
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Siro Sky
Sonhos são a parte mais importante da realidade.
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William Shakespeare
SONETO XVIII
Como no palco o ator que é imperfeito
Faz mal seu papel só por temor,
Ou quem, por repleto de ódio o peito
Vê o coração quebrar-se num tremor,
Em mim, por timidez, fica omitido
O rito mais solene da paixão;
E o meu amor eu vejo enfraquecido,
Vergado pela própria dimensão.
Seja meu livro então minha eloquência,
Arauto mudo do que diz meu peito,
Que implora amor e busca recompensa
Mais que a língua que mais o tenha feito.
Saiba ler o que escreve o amor calado:
Ouvir com os olhos é do amor o fado.
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Ainda
Eu fico aqui escutando aquelas mesmas músicas de amor que me levam onde eu penso que estás, nos tempos idos. Eu fico imaginando o que dirias se me visse cantar e se visse como eu cresci desde que foste, como um ectoplasma sucumbido, como um sonho cálido de um dia invernal, rodado por uma manta-chá.
Eu fico aqui pensando, como seria se eu pudesse te perdoar. Como eu te contaria as minhas novas pérolas, e imaginando o teu rosto ao ouvir os trejeitos pueris das minhas falas. Eu fico aqui planejando sair do país, mas quiçá não possa antes de sair-me dos poemas emoldurados por aquelas janelas, feitos de oração em simpósio fúnebre de amor.
Eu fico aqui imaginando cenas, ensaiando sorrisos, fabricando falas, me deixando dançar pelos braços que já não me envolvem mais. Senão pelas minhas linhas nostálgicas do vivido no outono, sentindo, nos espaços, o seu coração sob as cobertas, e, ainda, um pouco dentro de ti.
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Mario Quintana
DEFICIÊNCIAS
'Deficiente' é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
'Louco' é quem não procura ser feliz com o que possui.
'Cego' é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.
'Surdo' é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.
'Mudo' é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
'Paralítico' é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.
'Diabético' é quem não consegue ser doce.
'Anão' é quem não sabe deixar o amor crescer. E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:
'Miseráveis' são todos que não conseguem falar com Deus.
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Etiquetas: Apologias
Eu não lhe cumprimento
Eu não lhe cumprimento. E é porque você me sorri como se nada tivesse acontecido, como se jamais meus olhos tivessem visto o reflexo egoísta do que você fazia enquanto não pensava nas minhas dores, apenas nas suas curiosidades incubadas. Eu realmente espero que elas tenham sido sanadas...
Eu não lhe cumprimento. E é porque lhe dei as oportunidades que na Grécia não haveria para explicar-se, e você recusou assim como quem ignora uma ligação de tele-marketing no domingo de manhã. Esse exemplo não parece muito poético, mas é porque o seu rechaço não fora, e também porque eu não sou um exímio analogista – lo sabes.
Eu não lhe cumprimento. E é porque, depois de tudo, eu lhe não acho digno do meu famoso "hOla", e tão menos me encontro nesse seu estado permanente de hipocrisia, sobre os alicerces vaporosos do narcisismo que não lhe deixam ver (com humildade) as arestas do passado imperfeito. Lembra do seu livro de cabeceira? Que tal ler o que nele lhe há?
Eu não lhe cumprimento. E é porque aquela sua frase - "Quando eu sou bom, eu sou bom. Mas quando eu sou mau, sou melhor ainda" - nunca me fez tanto sentido quanto naqueles tempos em que nossas vidas se desvinculavam. Por isso, não a tire do seu perfil... Ela, provavelmente, lhe é o conceito mais cabível.
Eu não lhe cumprimento. E é porque, também, não acho que eu seja, ou que tenha me tornado, alguém agradável a você. Ainda sou o Jhonny de finanças instáveis, de projetos visionários, coração demasiado fértil. Agora, apenas, mais sensato (talvez), confiante e emocionalmente auto-sustentável (talvez), style (improving). Como diria Jeremias, "O bom é que a gente muda para melhor".
Eu não lhe cumprimento. E é porque uma amizade de corredores, elevadores, escadas, não sanariam as minhas necessidades, talvez tão distintas das suas. Não me apetecem os restos de nada, as sobras do que já havia logrado, e a luz da vela que reascende após o primeiro intento de apagá-la. Desejo o novo, ainda que o novo a partir do verdadeiro vintage...
Eu não lhe cumprimento. E é porque você está bem assim, e seguirá estando. Viver sem a minha diabética presença fora sua opção, que eu, por frustração, amor e respeito... Aceitei.
"Que calor aqui dentro, né?"..."Manda um beijo para aquele ali"
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Etiquetas: Cartas a Davi
Alheio
Talvez eu seja apenas um estranho no ônibus tentando, do meu jeito, voltar para casa, com os meus complexos guardados no bolso do chiclete.
Se estou sentado, intercalo a minha leitura com a busca dos olhos a passarem no contrário tempo de fora e, o crepúsculo da rua...
Se estou de pé, me seguro apenas com as pontas dos dedos, e, na outra mão, os livros que esqueci de devolver, por escrever - invés de ler - coisas do meu coração corante, ao aquecê-lo na manta lavanda sem fio, que eu me dei.
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viernes, 15 de mayo de 2009
One Of Us/Como Nosotros
[versão bilíngue, por mim feita]
Si Dios tuviese un nombre, como se llamaria?
Y que rostro teneria?
Si lo pudieses mirar,
Lo que preguntarias, si Él te regalase una sola question?
Yeah, yeah, Dios es bueno para mi
Yaah, yeah, Dios es bueno para ti
Yaah, yeah, yeah, yeah
Y si Dios fuese un simple chico
Solo un hombre así como yo
Simplemete un extraño en soledad a volver
a su casa, tal vez?
If God Had a Face
What Would It Look Like?
And Would You Want to See
If Seeing Mean That You Would Have to Believe
In Things Like Heaven and Jesus and the Saints
And All the Prophets
Yeah Yeah God Is Great
Yeah Yeah God Is Good
Yeah Yeah Yeah Yeah Yeah
What If God Was One of Us?
Just a Slob Like One of Us
Just a Stranger On the Bus
Trying to Make His Way Home
Just Trying to Make His Way Home
Back Up to Heaven All Alone
Nobody Call Him On the Phone
Cept For the Pope Maybe in Rome
Yeah, yeah, Dios es bueno para mi
Yaah, yeah, Dios es bueno para ti
Yaah, yeah, yeah, yeah
Y si Dios fuese un simple chico
Solo un hombre así como yo
Simplemete un extraño en soledad a volver
a su casa, tal vez?
Back Up to Heaven All Alone
Just Trying to Make His Way Home
Nobody Call Him On the Phone
'cept For the Pope Maybe in Rome
___________________________________
VEJA A CANÇÃO ORIGINAL AO PIANO AQUI
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Vou para a felicidade
Tudo mundo já pensou em se matar, ou em, pelo menos, excluir o orkut. O que, para alguns, dá quase na mesma.
Mas, agora, não estou pensando em nenhum dos dois. Ser abduzido seria tão mais interessante!
Veja bem... Eu tenho na minha estante livros que ainda não li, e, no meu guarda-roupas, peças que eu não uso desde a pré-adolescência. Já no meu peito, passados que eu ainda não deixei que passados tornem-se, e dúvidas inconstantes sobre a minha real vocação profissional.
Primeiro pensei em ir para uma cidade diferente, e depois para um estado, um país...
Não para encontrar respostas, mas alguém que me conteste. Não para realizar os meus sonhos, mas para recuperá-los. Não para ganhar dinheiro, mas aprender a precisá-lo menos.
E ainda que não, sim! Eu me vou para viver um amor; seja o meu, seja o "dele", seja o de todos. E quando eu chegar lá, deitarei no chão sob a noite desconhecida a esperar o amor me envolver de tal modo que eu não possa, e nem queira, voltar de mim.
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jueves, 7 de mayo de 2009
A Exosfera de Dentro
Alguém me tire daqui
e me leve para algum poema que não seja meu
um pensamento de vento que seja eu
em outra caravela...
Alguém me tire daqui
e me leve para um quintal d'água
quero ser hidropônico
se há uma rosa incolor, me dê uma aquarela para eu pintar...
Alguém me tire daqui e me leve para sortir pedras de voz,
vidros sendo atravessados por amor insone...
um telegrama sólido caído da lua
nuvens no transado de uma corda para me tirar daqui.
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Etiquetas: Poemas
domingo, 3 de mayo de 2009
Allan Guinsberg
POR FAVOR MEU AMO
Por favor, meu amo, deixa eu tocar teu rosto
Por favor, meu amo, deixe eu me ajoelhar a teus pés
Por favor, meu amo, deixa eu baixar tua calça azul
Por favor, meu amo, deixa eu contemplar teu ventre de pêlos dourados
Por favor meu amo, deixa eu tirar tua cueca devagarinho
Por favor meu amo, deixa eu desnudar tuas coxas para os meus olhos
Por favor meu amo, deixa eu tirar minha roupa sob a tua cadeira
Por favor meu amo, deixa eu beijar teus tornozelos tua alma
Por favor meu amo, deixa eu colar meus lábios na tua coxa dura lisa musculosa
Por favor meu amo, deixa eu grudar o ouvido no teu estômago
Por favor meu amo, deixa eu abraçar tua bunda branca
Por favor meu amo, deixa eu lamber tua virilha de pêlos louros e macios
Por favor meu amo, deixa eu tocar com a língua teu cu rosado
Por favor meu amo, deixa eu esfregar o rosto nos teus colhões
Por favor, olha nos meus olhos
Me manda deitar no chão
manda eu lamber teu pau grosso
Por favor meu amo, põe tuas mãos ásperas no meu crânio careca
Por favor meu amo, aperta minha boca contra o coração do teu pau cabeludo
Por favor, meu amo, aperta meu rosto contra o teu ventre
me puxa lentamente com teus polegares fortes
até tua dureza muda alcançar minha garganta
até eu engolir e sentir o gosto de teu pau-tronco
cheio de veias carne quente, por favor,
Por favor, meu amo.
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jueves, 9 de abril de 2009
Minha Hipoglicemia
Eu queria saber quando deixei de ser um doce
Dar Rafaelas ao mapa que fosse
Pintar o nariz de vinho tinto
Patrocinar o que eu sinto (2X)
Eu faço a barba
e não adianta nada
ainda não pareço com quem eu sou
Eu deixo a barba
e não adianta nada
ainda não pareço com quem eu sou
Há insulina no meu coração (2x)
Eu estou tentando
falar só o português
pero nadie ni yo he podido
entender o sentido...
A insulina do meu coração (2x)
Eu queria saber quando deixei de ser um doce
Dar Rafaelas ao mapa que fosse
Pintar o nariz de vinho tinto
Patrocinar o que eu sinto (2X)
Há insulina no meu coração (2x)
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sábado, 28 de marzo de 2009
Arte
A arte é de todo sempre extemporânea, existindo, alienadamente, da parcialidade egoísta dos criativos seres que mediam a sua concepção no plano material. E não nasce, ou morre, no projeto de ser, ou não ser, semiotizada pelas mãos dos "artistas" sob a sua intuição.
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viernes, 27 de marzo de 2009
O Corifeu Só
Eu não sei o que aconteceu.
se fui isolado do mundo,
ou se exilei os grupos, os coros, as instituições,
as sociedades não-secretas do ‘mim’ anônimo
Ainda que sobre uma almofada vermelha,
em um cubo público e longe do piano,
as vozes que movimentam o ar, mas não falam comigo,
carimbam-me no certificado sacro das ermidas
a canonizar uma solidão com a minha própria letra
Eu rezo e ela sorri...Nas capas dos livros,
na folga do meu anel polegar,
no espaço que não sobra do papel
e, nos perfumes que me logram o intento
de condensá-los no frasco azul da minha poesia...
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jueves, 26 de marzo de 2009
Lewis Carrol
MAPA MARÍTIMO
Ele tinha comprado um grande mapa representando o mar,
Sem o menor vestígio de terra:
E os tripulantes ficaram muito satisfeitos quando perceberam que era
Um mapa que todos eles podiam entender.
'Qual é a vantagem do Pólo Norte e do Equador de Mercator,
Trópicos, Hemisférios e Meridianos?'
E o Mensageiro iria anunciar: e a tripulação responder,
'Eles são apenas símbolos convencionais!'
Outros mapas têm formas parecidas, como ilhas e cabos!
Mas nós devemos agradecer ao nosso bravo Capitão:
(E a tripulação iria reconhecer) "ele nos comprou o melhor.
Um mapa perfeito, absolutamente vazio!"
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sábado, 21 de marzo de 2009
O (in)oportuno
Porque me ascendes e extingues tão sempre quanto um interruptor?
Eu, o Prometeu, fiel da luz, reservo-te a vela humana
Trai-te o giganteu,
ao que chega e toca a metade de todos
Quero ser o presente nas tuas vidas paralelas, atemporando
E não o recado que apagas como uma vela desimportante
Para que, o qual julgas o sol,
não se importune com a sutileza da minha claridade
Eu não quero que o meu amor te convenha,
modere, estabilize o pulso
Desejo ser o incômodo apetite pelo doce raro com gotas de stevia
e a coruja despertadora do que sentes, sobre o teu malcriado-mudo
...Almejo exaurir-te em fusões, e tornar-me a causa dos teus atrasos
A espera incondicional pelos domingos e os feriados de quaisquer santos
Mas como, se algemas o meu sentido em sede das notas do pomo perfume?
Como se tu, temendo mais os teus lábios, privasse-nos o beijo de Louis & Lestat
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domingo, 15 de marzo de 2009
Theastai
e ainda não sabendo como guardar as minhas mãos falantes
e com um decibilímetro para escutar a razão quase inaudível,
imergi em um suco de morango, para beijá-lo, apenas, ao dizer adeus...
nos indo pela sombra do que quase dizíamos
comparei o seu olhar cerúleo às ocas altas
...feitas com as copas do caminho arborizado e eleito
Eu vi a lua terminada em ene, sob o sol em movimeto,
detrás da luneta em vidros escuros, e, sentado por onde sobe a fé,
me esperava você... na cena sépia de uma foto-poesia
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sábado, 14 de marzo de 2009
O Poeta
O poeta não tem costas ou frente. O que há são dois versos: um diante, e, o outro sobre o papel.
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lunes, 9 de marzo de 2009
Nobreza
...E que sejamos marquesados, condados, viscondados, pela mesma arte rubra que nos condiciona ao trabalho árduo da ociosidade criativa, como um instrumento nobre para o principado do amor.
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domingo, 8 de marzo de 2009
Insônia
...Pensamentos claros e escuros; quando eu me deitava sobre as trevas me sentia luz, quando ia à luz, me sentia um ponto negro dentro do sol.
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viernes, 6 de marzo de 2009
Martha Medeiros
SOBRE HUMILHAÇÃO
Durante uma vida a gente é capaz de sentir de tudo, são inúmeras as sensações que nos invadem, e delas a arte igualmente já se serviu com fartura. Paixão, saudades, culpa, dor-de-cotovelo, remorso, excitação, otimismo, desejo – sabemos reconhecer cada uma destas alegrias e tristezas, não há muita novidade, já vivenciamos um pouco de cada coisa, e o que não foi vivenciado foi ao menos testemunhado através de filmes, novelas, letras de música.
Há um sentimento, no entanto, que não aparece muito, não protagoniza cenas de cinema nem vira versos com freqüência, e quando a gente sente na própria pele, é como se fosse uma visita incômoda. De humilhação que falo.
Há muitas maneiras de uma pessoa se sentir humilhada. A mais comum é aquela em que alguém nos menospreza diretamente, nos reduz, nos coloca no nosso devido lugar - que lugar é este que não permite movimento, travessia?. Geralmente são opressões hierárquicas: patrão-empregado, professor-aluno, adulto-criança. Respeitamos a hierarquia, mas não engolimos a soberba alheia, e este tipo de humilhação só não causa maior estrago porque sabemos que ele é fruto da arrogância, e os arrogantes nada mais são do que pessoas com complexo de inferioridade. Humilham para não se sentirem humilhados.
Mas e quando a humilhação não é fruto da hierarquia, mas de algo muito maior e mais massacrante: o desconhecimento sobre nós mesmos? Tentamos superar uma dor antiga e não conseguimos. Procuramos ficar amigos de quem já amamos e caímos em velhas ciladas armadas pelo coração. Oferecemos nosso corpo e nosso carinho para quem já não precisa nem de um nem de outro. Motivos nobres, mas os resultados são vexatórios.
Nesses casos, não houve maldade, ninguém pretendeu nos desdenhar. Estivemos apenas enfrentando o desconhecido: nós mesmos, nossas fraquezas, nossas emoções mais escondidas, aquelas que julgávamos superadas, para sempre adormecidas, mas que de vez em quando acordam para, impiedosas, nos colocar em nosso devido lugar.
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Martha Medeiros
A DOR QUE DÓI MAIS
Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.
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jueves, 5 de marzo de 2009
Aventura II
É o prazer da liberdade dobrada em existir duas vezes ao encontrar o amor num reflexo distinto, sem estar diante do espelho.
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Aventura
É o prazer de encontrar no outro a liberdade dobrada de existir duas vezes, ao amar um reflexo distinto sem estar diante do espelho.
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Fidelidade
Eu sou fiel à minha essência. Os que conseguem notá-la tem a minha fidelidade.
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domingo, 1 de marzo de 2009
Deleite
o cheiro dos momentos me encanta
às vezes, quando lembro de um segundo bom
é porque me olfata o gosto de não sei o que, em anacolutos
trazendo em me levando naquela estação eqüidistante
nas recordações olorosas de flores com nome de gente
marinhos alados, frutas vermelhas sem título...
por isso, se um dia eu assistir uma película latina envolvido de ti
não importa o quão tarde, lembrarei da fragrância gasosa da chuva
em deleite no edredom das tuas infâncias e do aroma da tua pele
talvez esqueça do beijo, da cena que imitamos, e que a pipoca queimou...
mas não do sentimento nascido sobre o mesmo travesseiro, quando eu senti o teu perfume.
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sábado, 21 de febrero de 2009
Parabéns Dudu
Pensey em muitas palavras para dizer a você...
Quem sabe um escrito com algumas rimas ricas, canções,
ou, ainda, uma congratulação no meu idioma favorito
mas percebi o quão inútil é a poesia sem a presença dos olhos
as histórias sem os ponteiros, e o amor sem a coragem de existir.
Por isso, deixo-lhe apenas os parabéns da amizade, que acontece sem doer.
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miércoles, 18 de febrero de 2009
Me sou
{...não uma [fase], uma (essência)}
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Cupidos
Eu nasci para ser cupido. E os cupidos não namoram, não casam, não tem filhos, não acumulam dinheiro. Apenas desmaterializam quando todos os pares se unem, e o último bouquet completa o retângulo branco – junto da pedra inscrita –, sobre o gramado verde outono atrás das igrejas, entre as crianças...
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martes, 17 de febrero de 2009
Sobre o criado-mudo
A “infantilidade” que agora salientas e desgostas
foi, antes, o olhar doce e pueril que te apaixonou
O anel que esqueces sobre o criado-mudo
não cala o que nos passou quando acreditavas
Eu creio em contos, e sempre haverá um para acontecer
entre a ponta dos teus pés e os meus lábios sinceros,
mesmo que no meu secreto bloco de notas, onde alcançavas,
pois nada esconde, se não aquilo que eu te mostravas aos beijos
Está à minha altura aquele que ama sem temores e métodos
Jamais vi um livro que ensinasse o amor e um coração que alfabetizasse...
mas li o “fim” no índice das juras tuas, onde a dor já não enxágua o meu pijama,
apenas umedece os cantos dos meus olhos rasgados e converte-se em um poema, ou uma canção – entre a recordação do teu riso de consigas e o meu sono.
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Sobre a minha morte
Eu quero morrer no auge do meu sucesso. Para que, assim, as pessoas tenham a impressão de que eu seguiria sendo o melhor.
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O começo das histórias
o inicio daquela sensação incólume
entre os sorrisos por ourives feitos
em que até o que destoa concomita
é o som púrpuro do latejo cardíaco
sob a rima sem consoante do primeiro ósculo
e aquela quietude aflita de quase dizer
as promessas verbais de um dia branco
afim da noite clara do enlace primogênito
são as correntes de sementes verdes, castas,
livres ao estarem presas por arbítrio
por que todos os princípios se parecem
mesmo nas cenas sem verdade do proscénio
faço-me nelas, e como uma lápide da origem eterna
...vou guardar o seu anel na minha caixinha de manias
e girá-lo no meu dedo ao escrever o começo das histórias
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