Dado Schneider, criador da marca claro, após sua participação na rodada de perguntas a um dos palestrantes, socializou pelos stands do Festival Mundial de Publicidade. E, com a receptividade característica de um verdadeiro ídolo, concedeu ao blog uma entrevista pra lá de conselho de mãe com cara de tio-novo-drogado-malandrão.
Enquanto eu tomava a coca zero (com pipoca), a qual ele me fez questão de quitar (depois que eu disse três vezes que estava com sede – brincadeira), batemos o papo.
Iniciamos com uma reflexão sobre a leitura, tema recém pautado no palco. Segundo o palestrante, consultor e worshopman, a leitura é um hábito de berço. São raríssimos os casos em que há uma guinada e passa-se a devorar os livros. A influência quase sempre está numa imagem do círculo familiar, pois o exemplo funciona muito mais do que ordens expressas. “Muitos pais dizem ‘Filho, você tem que ler mais’, à exaustão, mas não têm o gosto particular pela leitura”, critica.
DADO, VOCÊ SEMPRE ENFATIZA A IMPORTÂNCIA DA LEITURA NAS SUAS EXPLANAÇÕES. QUE LIVROS VOCÊ CONSIDERA ESSENCIAIS NA BAGAGEM DE UM COMUNICADOR?
Macunaíma de Mario de Andrade, porque nós não somos consumidores americanos, puritanos. Lá a palavra vale mais do qualquer coisa; aqui tudo é relativo. Então, nós não podemos ler um livro de marketing americano produzido, por e, para um público específico, brilhante em produção acadêmica e em conhecimento de mercado, se não colocarmos essa obra de Andrade como filtro. “Sua ligação é muito importante para nós” é uma frase esdrúxula para o contexto brasileiro, pois nós somos cordiais, conotativos.
Bibliografia básica:
Macunaíma – Mario de Andrade
Vozes do Brasil – Sergio Buarque de Holanda
Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis
Casa-Grande & Senzala – Gilberto Freyre
O Tempo e o Vento – Érico Veríssimo
Um Certo Capitão Rodrigo – Érico Veríssimo
E aí, então, depois se pode pensar em livros técnicos como Administração e Marketing, de Felipe Botta, velho amansa burro... Enfim, a leitura deve começar por onde você está. Nós temos que ler de bula de remédio até almanaque de farmácia. Afinal, tudo é repertório para associação de idéias. Porque não ler romance, para entender a alma humana, de amor, sentimento?
FALE-ME UM POUCO SOBRE O SEU TRAJETO PESSOAL NA CARREIRA DE COMUNICAÇÃO.
D.S: Eu vim focadinho. Desde os treze trabalho como publicitário, e o meu primeiro dia de aula foi também o primeiro dia de estágio numa grande agência, e ai eu cresci muito rápido. Naquela época era muito fácil crescer. Eu era o Robinho. De repente eu estava no Real Madrid.
(risos)
J.M: Eu, no meu primeiro dia de aula, fui contratado para dar aula de Comunicação Social e tive que me puxar mais nos estudos para poder passar algo consistente aos meus educandos. Aprendi e cresci bastante. Foi muito bom.
D.S: Caramba... Eu lhe digo uma frase de Guimarães Rosa “mestre não é quem sempre ensina, é quem de repente aprende” [...].
D.S: ...Então, trabalhei, trabalhei, trabalhei, e cansei de ser executivo. Aí, terminei o doutorado e vi que estava na hora de ser consultor. Afinal, eu já tinha me tornado, o que se chama no mercado, uma "puta-velha" (experiente – riso). Eu vim migrando de executivo para consultor, e de consultor para palestrante/worshopista. E somente agora, com trinta de carreira, que eu comecei a desacelerar...
J.M: Vai gravar um CD!?
(risos)
D.S:...Não, não. Na verdade, há pouco tempo, gravei meu primeiro dvd ao vivo: palestra com produção. Eu adoro o que eu faço! Quando me dizem: “Bah! Mas tu estás te matando”; eu respondo, “Pior se fosse trabalho!” (risos). Faço o que eu faço com espírito de amador – o amador lida desvinculado da grana. Sou assim, às vezes.
QUE CONSELHO VOCÊ DÁ À GALERA QUE ESTÁ CORRENDO ATRÁS DO SUCESSO?
Eu sigo sendo e sempre fui uma pessoa incorruptível, ético até a medula. E, nesse mundo, onde a maioria dos que se dão bem corrompe algum tipo valor, me questionei algumas vezes se estava no caminho certo para chegar lá. E lhe digo que, agora com os meus quarenta e sete anos, sim.
Então, CALMA. Pelo caminho honesto você demorará mais, porém a sua conquista será mais sólida. Aliás, os aplausos que recebo quando subo no palco não são de graça – é o meu grande presente –, esse carinho não é uma coisa efêmera.
É isso aí, anacks!
Em breve, posto aqui a entrevista do mister advertising, como leitor do blog. Afinal, Dado Schneider também é anacoclicker!
=]
besitos;
[Imagem: Canto esquerdo do certificado do Festival autografado pelo o entrevistado.]
viernes, 12 de junio de 2009
“Puta-velha”
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