domingo, 31 de julio de 2011

Almohada



me gusta como me sacas el frío
y el color de voz que compones
mientras me pintas
a tu deseo


hay cosas que me haces olvidar
y otras que
solo sé y me acuerdo
cuando estoy contigo


me enternece la rara lengua que estrenamos
mirándonos a los ojos
sobre las burbujas vaporosas
de mi té con leche


me bailaste el alma
y en tu acostar apacible
mi cuerpo se hizo pecho
y tu única almohada


ya no tengo el hambre de compartirte
sino comer a besos las palabras de dulce,
estribillo y leche
que intentas enseñar a mi corazón

sábado, 30 de julio de 2011

Travesseiro

eu gosto como me tiras o frio
e o tom de voz que compões
enquanto me pintas
ao teu desejo


há coisas que me fazes esquecer
e outras que
só sei e me lembro
quando estou contigo


me enternece a rara língua que estreamos
mirando-nos os olhos
sobre as bolhas vaporosas
do meu chá com leite


me dançaste a alma
e em teu deitar suave
meu corpo se fez peito
e teu único travesseiro


já não tenho a fome de dividir-te
mas comer a beijos as palavras de doce,
refrão e leite
que tentas ensinar ao meu coracão

martes, 5 de julio de 2011

La Despedida


Acho que me acostumei a não esperar companhia. Dividir as coisas com minhas próprias memórias e não mais com quem as multiplicaria. Como amigos-miragem, reagindo a mim de acordo a minha carência e criação. Tantas vezes quis tê-los perto e não tive coragem de fazer ou insistir um convite. Talvez tenha esperado recebê-lo, ou a vontade passar. Acumulou.

Não perdi alguém. Perdi um lugar dentro, um rumo estável: meu sintoma de paz e raiz. Extraviei meu senso de julgamento e intuição; os troquei por uma dimensão sem . Só desejo o poder de reverberá-la de novo.

Já acreditei mais na chuva do que no meu guarda-nuvens vermelho. Parto para armá-lo: torná-lo guarda-sol sob um céu de sopro e bons ares.

Sinto-me tão iluminado e determinado, quanto só e despistado atrás da sorte. Essa que, às vezes, parece não caber nos escritos da minha mão.
Não sei se me fechei, mas sei que um dia estive aberto, como a janela de uma casa muito engraçada. Ri muito com vocês, e, através dela...

Talvez, manter certa distância tenha sido o meu (ou o seu) jeito de preservar fresca e nostálgica a imagem de nós juntos, compartilhando o brilho das nossas frestas – quero crer. Quiçá, e ainda, apenas o curso do rio: vulnerável e desapegado.

Corre ele para um lugar bom ou do modo certo?

Nunca me senti deste céu, sol, sul, ou visto como sei, sou, fui. É fatigante ser entendido como uma “pessoa fantástica” – tão quisto que rechaçado. Sentir, genuinamente, é tão incomum que me estranham. Gosto de ser especial, não de ser raro.

Sou o apego...

Minha parte ingênua já esperou reciprocidade das rel-ações. Coisas doces. Qualquer mimo, como um seqüestro poético de segunda-feira, na qual, a agenda grita e o tempo parece ter perdido a audição. Domingos baldios também são para o cultivo quente das coisas puras. Por vezes, quis a surpresa terna de uma conversa-vapor sobre um café com amor e avelã.

Talvez, amizade seja mais confiança do que presença; mas aprecio e preciso indescritivelmente do calor humano. Sou grato a todos que me deram um pouco dessa quentura.

E com esses sentimentos, me vou e despeço. Pois, mudar e partir faz parte da minha cura.

Un beso!