Acho que me acostumei a não esperar companhia. Dividir as coisas com minhas próprias memórias e não mais com quem as multiplicaria. Como amigos-miragem, reagindo a mim de acordo a minha carência e criação. Tantas vezes quis tê-los perto e não tive coragem de fazer ou insistir um convite. Talvez tenha esperado recebê-lo, ou a vontade passar. Acumulou.
Não perdi alguém. Perdi um lugar dentro, um rumo estável: meu sintoma de paz e raiz. Extraviei meu senso de julgamento e intuição; os troquei por uma dimensão sem fé. Só desejo o poder de reverberá-la de novo.
Já acreditei mais na chuva do que no meu guarda-nuvens vermelho. Parto para armá-lo: torná-lo guarda-sol sob um céu de sopro e bons ares.
Sinto-me tão iluminado e determinado, quanto só e despistado atrás da sorte. Essa que, às vezes, parece não caber nos escritos da minha mão.
Não sei se me fechei, mas sei que um dia estive aberto, como a janela de uma casa muito engraçada. Ri muito com vocês, e, através dela...
Talvez, manter certa distância tenha sido o meu (ou o seu) jeito de preservar fresca e nostálgica a imagem de nós juntos, compartilhando o brilho das nossas frestas – quero crer. Quiçá, e ainda, apenas o curso do rio: vulnerável e desapegado.
Corre ele para um lugar bom ou do modo certo?
Nunca me senti deste céu, sol, sul, ou visto como sei, sou, fui. É fatigante ser entendido como uma “pessoa fantástica” – tão quisto que rechaçado. Sentir, genuinamente, é tão incomum que me estranham. Gosto de ser especial, não de ser raro.
Sou o apego...
Minha parte ingênua já esperou reciprocidade das rel-ações. Coisas doces. Qualquer mimo, como um seqüestro poético de segunda-feira, na qual, a agenda grita e o tempo parece ter perdido a audição. Domingos baldios também são para o cultivo quente das coisas puras. Por vezes, quis a surpresa terna de uma conversa-vapor sobre um café com amor e avelã.
Talvez, amizade seja mais confiança do que presença; mas aprecio e preciso indescritivelmente do calor humano. Sou grato a todos que me deram um pouco dessa quentura.
E com esses sentimentos, me vou e despeço. Pois, mudar e partir faz parte da minha cura.
Un beso!