lunes, 10 de agosto de 2009

Guarda-chuva-vermelho

Eu não queria aquela carona de verdade
logro em ter eleito ir caminhando dentro da chuva
para ofertar meu braço em formação de laço com o teu
debaixo da mesma armação de varetas móveis, no meio: nós e a haste
perdendo os pingos para fora do que nos disseram

Quando desfazíamos o silêncio, resvalado pela rua
dávamos saudações em deleite do depor nossos defeitos escolhidos:
"Eu sou chato!" - "Eu falo demais!"
quiçá melhor assim começar o conto ao avesso:
malquerença antes e benquerença depois, acusação antes e absolvição depois

Quando calávamos, o pavimento cintilava em meia voz
contava sobre a tua preferência pelos mais tenros
e o meu encantamento pelos mais claros ou dourados
mas ainda que eu insista com a barba e tu em escurecê-los
nos restarão os cheiros dissolvidos de tempo e de cores

E eu teria caminhado duas esquinas mais para não te resfriar
contudo e com todos, o ônibus das onze não esperaria por essa intenção
os onze minutos que uma timedez levaria para se despedir a tua porta
com a sobremesa dos dias frios, premiando as pegadas d'água na rotunda espelhada
brilhante fosca no céu lobo, contraste sob, quem diria... o mesmo guarda-chuva-vermelho

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