
Estava ali na cama, lendo Wilde, e o teto me chamou pela íris. Encarei o alto como se fosse encontrar outros olhos em resposta. Deus? Não. Eu vi uma mandala.
Pude lembrar a história que ela carrega suspensa, desde aquele dia. Por alguma razão eu não a saquei junto com as coisas suas postas no guarda-chuva. Motivo? Não o sei.
Mas sabe aquelas coisas que não se percebe a existência até a falta? Na música o contra-baixo, nas poesias as estrofes, na tela a moldura...
Ela está ali, vermelha, simbólica, sobre a minha cabeça. Tentar esquecer o que é você e repousar todos os dias sob um presente seu. Irônico, não?
Eu me recordei do seu retorno em veraneio com uma pulseira colombiana e uma mandala rubra, cheia de significados, assim como sua pele mais dourada. Também, cheio de desculpas por não ter me ligado. Seu beijo estava diferente. Engraçado.
Tão logo a penduramos, fora seqüestrada; encontramos o presente vandalizado. E meu coração, quase tão trincado quanto o alvo, buscara suas janelas com as minhas já turvas. Como se não o item, mas o nosso próprio amor tivesse se fraturado.
Sem prestar atenção em minha alma e ainda colérico na ânsia de punir, você interrompeu minhas ditas nervosas, reuniu as partes, segurou o meu rosto – com as palmas – e ponderou: "Calma, meu amor. É para isso que lhe dei esse presente; para ajudá-lo a controlar impulsos e ansiedades. Ela irá atrair energias puras para afastar as que não são boas ao seu signo. Brigãozinho!"
Então, vendo tudo inteiro, tirei os chinelos e fixei ao teto da cama a minha mandala de Áries.
martes, 28 de julio de 2009
A Mandala de Áries
Publicado por _ en 17:38
Etiquetas: Cartas a Davi
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