Eu não lhe cumprimento. E é porque você me sorri como se nada tivesse acontecido, como se jamais meus olhos tivessem visto o reflexo egoísta do que você fazia enquanto não pensava nas minhas dores, apenas nas suas curiosidades incubadas. Eu realmente espero que elas tenham sido sanadas...
Eu não lhe cumprimento. E é porque lhe dei as oportunidades que na Grécia não haveria para explicar-se, e você recusou assim como quem ignora uma ligação de tele-marketing no domingo de manhã. Esse exemplo não parece muito poético, mas é porque o seu rechaço não fora, e também porque eu não sou um exímio analogista – lo sabes.
Eu não lhe cumprimento. E é porque, depois de tudo, eu lhe não acho digno do meu famoso "hOla", e tão menos me encontro nesse seu estado permanente de hipocrisia, sobre os alicerces vaporosos do narcisismo que não lhe deixam ver (com humildade) as arestas do passado imperfeito. Lembra do seu livro de cabeceira? Que tal ler o que nele lhe há?
Eu não lhe cumprimento. E é porque aquela sua frase - "Quando eu sou bom, eu sou bom. Mas quando eu sou mau, sou melhor ainda" - nunca me fez tanto sentido quanto naqueles tempos em que nossas vidas se desvinculavam. Por isso, não a tire do seu perfil... Ela, provavelmente, lhe é o conceito mais cabível.
Eu não lhe cumprimento. E é porque, também, não acho que eu seja, ou que tenha me tornado, alguém agradável a você. Ainda sou o Jhonny de finanças instáveis, de projetos visionários, coração demasiado fértil. Agora, apenas, mais sensato (talvez), confiante e emocionalmente auto-sustentável (talvez), style (improving). Como diria Jeremias, "O bom é que a gente muda para melhor".
Eu não lhe cumprimento. E é porque uma amizade de corredores, elevadores, escadas, não sanariam as minhas necessidades, talvez tão distintas das suas. Não me apetecem os restos de nada, as sobras do que já havia logrado, e a luz da vela que reascende após o primeiro intento de apagá-la. Desejo o novo, ainda que o novo a partir do verdadeiro vintage...
Eu não lhe cumprimento. E é porque você está bem assim, e seguirá estando. Viver sem a minha diabética presença fora sua opção, que eu, por frustração, amor e respeito... Aceitei.
"Que calor aqui dentro, né?"..."Manda um beijo para aquele ali"
sábado, 16 de mayo de 2009
Eu não lhe cumprimento
Publicado por _ en 23:35
Etiquetas: Cartas a Davi
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