viernes, 5 de febrero de 2010

Qual é a coisa mais generosa que você já fez?

Chovia, e a Taíse se despedia de mim por msn. Era uma fase difícil para ambos. Mas dessa vez não se tratava de uma saudação antes de uma viajem intermunicipal. Minha colega e amiga planejava dar um adeus irremediável às angustias e às questões que penteavam seus pensamentos desde a infância. Eu... eu estava no trabalho, chorando de frente ao computador. Talvez com a mesma gana de cessar. Todavia, mantido sob a intuição de ajudar, parti.

No caminho, parei com pressa em uma padaria e escolhi um doce - lembrei de uma matéria que falava dos benefícios do chocolate ao coração.

No ônibus, o presente ia comigo, dentro da minha muchila nova e molhada por conta do meu esquecimento (guarda-chuva).

Quando desci, o temporal se converteu em chuvisco, e este em nuvens. A água acumulada no pavimento rumava às janelas de sol, antes dos pássaros beberem. Na rua longa, segui reto, encontrando o vento, lendo placas, plantas, pessoas.

Pessoas... Era apenas uma que buscava. Então entrei em um casarão antigo, e depois de subir dois lances de escada, a encontrei. Lá ela fingia que estava, fingia que trabalhava, fingia que gostava da vida que levava. Chamei a lady com os olhos e a abracei de muchila – molhado e tudo – , como que para salvá-la.

Depois de expediente, Taise retornou para casa envolvida por novos sentimentos, vendo o dia se pôr. E, ao invés de tomar o frasco de comprimidos, comeu um doce de cacau. O chocolate que, no meio daquela tarde, junto com um abraço úmido, eu lhe dei.

Farol


Eu não deixei o nosso amor, apenas guardei no farol de algum lugar. Onde seja bem-vindo, iluminado. Toca-se o céu, como um instrumento que só ouvi quando não escutava direito. Eu não deixei o nosso amor, apenas guardei para falar, para buscar, no farol de algum lugar.

jueves, 4 de febrero de 2010

Meu hábito

quero ser acostumado a ter você
eu quero me acostumar com o cheiro do seu corpo,
com o gosto do seu beijo
e com a paz de estar sobre o seu peito,
depois de fazermos amor

quero me acostumar com o seu jeito
abduzir, naturalmente, dos seus trejeitos
– da face e do gesticular – alguns para mim,
como um lembrar da parte sua, adentrada na minha ao pertencer...
e da mudança sutil que lhe amar me fará.