
Um dia, durante uma missão de amor, Don Joli conheceu uma menina entreaberta por um bem escovado sorriso inteligente de quem retorna do oráculo distante. Ela tinha um perfume de têmpera e de papel crepom na mesma porção de notas florais que havia recolhido na volta da escola – pelo caminho. E ainda de uniforme, aceitou compartilhar com o andarilho: a mãe, as tias, as primas e, por último, mas não menos importante, o estoque de pepino em conserva.
É bem verdade que no começo a pequena garota pedira ajuda para abrir os frascos daquela iguaria popular. Para Don, a solução parecera muito simples.
_Jogue ao chão! – dissera o latino já influenciado pela fome.
Juntos lançaram mão de espadas, lanças, feitiços para romper as embalagens. No entanto, fora após algumas quartas-feiras que a distinta Princesa Pici, guardiã da dispensa, pronunciara a sugestão em tom de ordem.
_Chame o Papa! – estando crente de que o vira pelas redondezas.
Não encontrando o chefe católico, mais almoços se deram sem pepinos e a angústia nascida da sua vocação anfitriã aumentara. Assim acontecera até uma certa refeição normal de um quinto dia da semana, quando Joli refletiu alto.
_A inteligência é o controle dos instintos, não dos sentimentos. Então se concentre nesses últimos e os use para desfazer ou fazer o que desejar. Permita que algo a tenha em seu favor.
No mesmo instante a alteza mirim dobrou as mangas até os cotovelos, sentiu o que lhe ia ao peito, além do generoso sutiã – fechando os olhos –, segurou o recipiente e o destapou.
Sem mais delongas, desde então, quase todas as semanas, o almoço é em quatro: Don Joli, Princesa Pici, Rainha Rene e um vidro de pepino em conserva.
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FELIZ ANIVERSÁRIO!
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JOLI.
martes, 28 de julio de 2009
Don Joli e a Princesa Pici
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