martes, 28 de julio de 2009

Don Joli e a Princesa Pici


Um dia, durante uma missão de amor, Don Joli conheceu uma menina entreaberta por um bem escovado sorriso inteligente de quem retorna do oráculo distante. Ela tinha um perfume de têmpera e de papel crepom na mesma porção de notas florais que havia recolhido na volta da escola – pelo caminho. E ainda de uniforme, aceitou compartilhar com o andarilho: a mãe, as tias, as primas e, por último, mas não menos importante, o estoque de pepino em conserva.
É bem verdade que no começo a pequena garota pedira ajuda para abrir os frascos daquela iguaria popular. Para Don, a solução parecera muito simples.

_Jogue ao chão! – dissera o latino já influenciado pela fome.

Juntos lançaram mão de espadas, lanças, feitiços para romper as embalagens. No entanto, fora após algumas quartas-feiras que a distinta Princesa Pici, guardiã da dispensa, pronunciara a sugestão em tom de ordem.

_Chame o Papa! – estando crente de que o vira pelas redondezas.

Não encontrando o chefe católico, mais almoços se deram sem pepinos e a angústia nascida da sua vocação anfitriã aumentara. Assim acontecera até uma certa refeição normal de um quinto dia da semana, quando Joli refletiu alto.

_A inteligência é o controle dos instintos, não dos sentimentos. Então se concentre nesses últimos e os use para desfazer ou fazer o que desejar. Permita que algo a tenha em seu favor.

No mesmo instante a alteza mirim dobrou as mangas até os cotovelos, sentiu o que lhe ia ao peito, além do generoso sutiã – fechando os olhos –, segurou o recipiente e o destapou.
Sem mais delongas, desde então, quase todas as semanas, o almoço é em quatro: Don Joli, Princesa Pici, Rainha Rene e um vidro de pepino em conserva.

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FELIZ ANIVERSÁRIO!
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JOLI.

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