sábado, 28 de marzo de 2009

Arte

A arte é de todo sempre extemporânea, existindo, alienadamente, da parcialidade egoísta dos criativos seres que mediam a sua concepção no plano material. E não nasce, ou morre, no projeto de ser, ou não ser, semiotizada pelas mãos dos "artistas" sob a sua intuição.

viernes, 27 de marzo de 2009

O Corifeu Só

Eu não sei o que aconteceu.
se fui isolado do mundo,
ou se exilei os grupos, os coros, as instituições,
as sociedades não-secretas do ‘mim’ anônimo

Ainda que sobre uma almofada vermelha,
em um cubo público e longe do piano,
as vozes que movimentam o ar, mas não falam comigo,
carimbam-me no certificado sacro das ermidas
a canonizar uma solidão com a minha própria letra

Eu rezo e ela sorri...Nas capas dos livros,
na folga do meu anel polegar,
no espaço que não sobra do papel
e, nos perfumes que me logram o intento
de condensá-los no frasco azul da minha poesia...

jueves, 26 de marzo de 2009

Lewis Carrol

MAPA MARÍTIMO

Ele tinha comprado um grande mapa representando o mar,
Sem o menor vestígio de terra:
E os tripulantes ficaram muito satisfeitos quando perceberam que era
Um mapa que todos eles podiam entender.

'Qual é a vantagem do Pólo Norte e do Equador de Mercator,
Trópicos, Hemisférios e Meridianos?'
E o Mensageiro iria anunciar: e a tripulação responder,
'Eles são apenas símbolos convencionais!'

Outros mapas têm formas parecidas, como ilhas e cabos!
Mas nós devemos agradecer ao nosso bravo Capitão:
(E a tripulação iria reconhecer) "ele nos comprou o melhor.
Um mapa perfeito, absolutamente vazio!"

sábado, 21 de marzo de 2009

O (in)oportuno

Porque me ascendes e extingues tão sempre quanto um interruptor?
Eu, o Prometeu, fiel da luz, reservo-te a vela humana
Trai-te o giganteu,
ao que chega e toca a metade de todos

Quero ser o presente nas tuas vidas paralelas, atemporando
E não o recado que apagas como uma vela desimportante
Para que, o qual julgas o sol,
não se importune com a sutileza da minha claridade

Eu não quero que o meu amor te convenha,
modere, estabilize o pulso
Desejo ser o incômodo apetite pelo doce raro com gotas de stevia
e a coruja despertadora do que sentes, sobre o teu malcriado-mudo

...Almejo exaurir-te em fusões, e tornar-me a causa dos teus atrasos
A espera incondicional pelos domingos e os feriados de quaisquer santos
Mas como, se algemas o meu sentido em sede das notas do pomo perfume?
Como se tu, temendo mais os teus lábios, privasse-nos o beijo de Louis & Lestat

domingo, 15 de marzo de 2009

Theastai

e ainda não sabendo como guardar as minhas mãos falantes
e com um decibilímetro para escutar a razão quase inaudível,
imergi em um suco de morango, para beijá-lo, apenas, ao dizer adeus...

nos indo pela sombra do que quase dizíamos
comparei o seu olhar cerúleo às ocas altas
...feitas com as copas do caminho arborizado e eleito

Eu vi a lua terminada em ene, sob o sol em movimeto,
detrás da luneta em vidros escuros, e, sentado por onde sobe a fé,
me esperava você... na cena sépia de uma foto-poesia

sábado, 14 de marzo de 2009

O Poeta

O poeta não tem costas ou frente. O que há são dois versos: um diante, e, o outro sobre o papel.

lunes, 9 de marzo de 2009

Nobreza

...E que sejamos marquesados, condados, viscondados, pela mesma arte rubra que nos condiciona ao trabalho árduo da ociosidade criativa, como um instrumento nobre para o principado do amor.

domingo, 8 de marzo de 2009

Insônia

...Pensamentos claros e escuros; quando eu me deitava sobre as trevas me sentia luz, quando ia à luz, me sentia um ponto negro dentro do sol.

viernes, 6 de marzo de 2009

Martha Medeiros

SOBRE HUMILHAÇÃO

Durante uma vida a gente é capaz de sentir de tudo, são inúmeras as sensações que nos invadem, e delas a arte igualmente já se serviu com fartura. Paixão, saudades, culpa, dor-de-cotovelo, remorso, excitação, otimismo, desejo – sabemos reconhecer cada uma destas alegrias e tristezas, não há muita novidade, já vivenciamos um pouco de cada coisa, e o que não foi vivenciado foi ao menos testemunhado através de filmes, novelas, letras de música.

Há um sentimento, no entanto, que não aparece muito, não protagoniza cenas de cinema nem vira versos com freqüência, e quando a gente sente na própria pele, é como se fosse uma visita incômoda. De humilhação que falo.

Há muitas maneiras de uma pessoa se sentir humilhada. A mais comum é aquela em que alguém nos menospreza diretamente, nos reduz, nos coloca no nosso devido lugar - que lugar é este que não permite movimento, travessia?. Geralmente são opressões hierárquicas: patrão-empregado, professor-aluno, adulto-criança. Respeitamos a hierarquia, mas não engolimos a soberba alheia, e este tipo de humilhação só não causa maior estrago porque sabemos que ele é fruto da arrogância, e os arrogantes nada mais são do que pessoas com complexo de inferioridade. Humilham para não se sentirem humilhados.

Mas e quando a humilhação não é fruto da hierarquia, mas de algo muito maior e mais massacrante: o desconhecimento sobre nós mesmos? Tentamos superar uma dor antiga e não conseguimos. Procuramos ficar amigos de quem já amamos e caímos em velhas ciladas armadas pelo coração. Oferecemos nosso corpo e nosso carinho para quem já não precisa nem de um nem de outro. Motivos nobres, mas os resultados são vexatórios.

Nesses casos, não houve maldade, ninguém pretendeu nos desdenhar. Estivemos apenas enfrentando o desconhecido: nós mesmos, nossas fraquezas, nossas emoções mais escondidas, aquelas que julgávamos superadas, para sempre adormecidas, mas que de vez em quando acordam para, impiedosas, nos colocar em nosso devido lugar.

Martha Medeiros

A DOR QUE DÓI MAIS

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.

jueves, 5 de marzo de 2009

Aventura II

É o prazer da liberdade dobrada em existir duas vezes ao encontrar o amor num reflexo distinto, sem estar diante do espelho.

Aventura

É o prazer de encontrar no outro a liberdade dobrada de existir duas vezes, ao amar um reflexo distinto sem estar diante do espelho.

Fidelidade

Eu sou fiel à minha essência. Os que conseguem notá-la tem a minha fidelidade.

domingo, 1 de marzo de 2009

Deleite

o cheiro dos momentos me encanta
às vezes, quando lembro de um segundo bom
é porque me olfata o gosto de não sei o que, em anacolutos
trazendo em me levando naquela estação eqüidistante
nas recordações olorosas de flores com nome de gente
marinhos alados, frutas vermelhas sem título...

por isso, se um dia eu assistir uma película latina envolvido de ti
não importa o quão tarde, lembrarei da fragrância gasosa da chuva
em deleite no edredom das tuas infâncias e do aroma da tua pele
talvez esqueça do beijo, da cena que imitamos, e que a pipoca queimou...
mas não do sentimento nascido sobre o mesmo travesseiro, quando eu senti o teu perfume.