martes, 28 de julio de 2009

Quase Amor

Ainda é difícil esperar os sábados e vivê-los durante as noites. Olhar o mapa dos dias e encontrar lacunas em saturno. Talvez haja vida nos outros bolinhos de leite, mas não nesse planeta lácteo. Ligo a tv e nenhum filme é adequado, nenhum seriado ou programa de música me entrete. Ler me parece incômodo, escrever variedades, improvável, e cantar aquelas músicas de sempre...para quê?

Quando chega a essa hora, me sorve uma irritação, uma gula, um acorde para me manter acordado, porém tudo segue igual.
Você aí, lendo antes de dormir. Ou quem sabe oferecendo um jantarzinho para os amigos, ou se oferecendo como um jantarzinho para os "amigos", agora "confortável" em recebê-los. Não sei quem é mais infeliz, quem assume sua tristeza ou quem a oculta atrás de um sorriso mussarela.

Hoje mesmo assisti uma peça teatral de temática amorosa, ou quase. Mostrava as relações como uma constância incompleta, e isso deu um aperto no peito. Será assim a vida de quem usa o coração como escudo e a alma como armadura? Qualquer coisa toca, lustra ou perfura?

Eu, realmente, espero que assim não seja. Ainda lhe encontro no meu eu inaceitável. Tenho medo de me tornar uma pessoa responsável e não conseguir mais ser artista. Tenho medo de me tornar vulnerável e não conseguir mais manter-me, aparentemente, intransigente... Batendo na sua casa às doze horas, louco para que você esteja, e também para que não. Que esteja uma ilusão quase realizada, quase emancipada, quase abandonada de um março qualquer.

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