viernes, 3 de diciembre de 2010

Ojos de Cielo

(Ojos de Cielo foi a última música que Cáren e eu compomos juntos, inspirado no conto Guarda- Nuvens, de minha autoria)

Yo vi pájaro al aire
Y abrió sus asas para mi
Para que yo pueda mirarte
Y lo sienta volar feliz

Y así me tocó sus ojos
Como el cielo sobre mi
Pero, mi cielo, no vayas
De forma alguna partir

Porque... Yo no sé volar
Y usted...No va a regresar
Pero yo...Aprendí a amar
El cielo como tu mirar

Yo no puedo tenerlo aquí
A mi lado porque yo
No tengo asas como tu
Ni lo sé llamarlo de “mi amor”
Y más nadie puede ser así
Prefiero el cielo que me dió
Mismo que va dolorir
Yo puedo ver donde pasó

Donde pasó...

Veíame andar muy sola
Desaprendí a sonreír
Y en mi camino de piedras
Me olvidé de ti

Ya que en mi cielo es noche
Ni sé para adonde correr
Intenté seguir sus plumas
Y a orilla del mar, me perdí

Porque...yo no sé volar
Y usted...no va a regresar
Pero yo...aprendí a amar
El cielo como tu mirar

Yo no puedo tenerlo aquí
A mi lado porque yo
No tengo asas como tu
Ni sé llamarlo de “mi amor”
Y más nadie puede ser así
Prefiero el cielo que me dió
Mismo que va dolorir
Yo puedo ver donde pasó

Donde pasó...

jueves, 2 de diciembre de 2010

Sobre Meninas e Canetas


Cáren Brum e eu nos conhecemos logo que ela chegou em Caxias, no final de 2006. Na época, trabalhava como promotora de vendas de uma financeira e morava sozinha. Eu a chamava de “lábios sintéticos”, nome este que juramos batizar a banda de música latina a qual teríamos juntos um dia.

Ela sempre falava dos seus projetos, e das pessoas e coisas deixadas em Bagé para concretizar aqui seus sonhos e ambições. Mais tarde, a família veio à cidade para morarem todos numa casa alugada, no bairro Esplanada. Algum tempo depois, ela passou a trabalhar na Secretaria da Cultura, juntou dinheiro e construiu a casa própria no Desvio Rizzo.

Enquanto fomos vizinhos, além de amigos, éramos também colegas de teatro, arte e aforismos. Saíamos juntos para baladas, eventos culturais e quase sempre trocávamos presentes poéticos. Se eu escrevesse um conto, ela fazia dele uma canção. Se eu compusesse algo, ela arranhava uma melodia.

Lady Brum - como também eu a chamava - tinha Lúpus, mas nunca se permitiu abater pela doença. Houve um período em que ela precisou fazer um tratamento que, possivelmente, a faria perder todo o cabelo. Porém, ao invés de se depreciar, ela olhou para mim rindo, e disse: "Você que entende de moda, vá lá e desenha uns turbantes pra mim!". Por sorte, não caiu nem um fio e eu acabei desenhando uma roupa de festa.

Minha amiga era bela, intensa, fortaleza frágil em seu interior. Romântica, costumava dizer que nasceu em Antares. Era crédula, sobretudo em si mesma. Sempre falava com convicção sobre suas ideias e sentimentos iconoclastas. Quem os escutava podia quase tocá-los: vivê-los com ela.

Modelo, atriz, baterista, produtora, estudante nerd da computação... Cáren foi tudo o que quis ser.

No seu blog obsoleto, em formato de carta, ela diz: “Ser, de toda alma e todo o coração. Ser apenas ser-humano. E eu, insana, comparo a razão de uma existência grandiosa, viva, milagrosa, talvez até inteligente, com minha caneta nova”. Ao final desse texto, entre parênteses, como se fosse uma rubrica teatral, está o ingênuo lembrete: “(a terminar...)”.

Quem fica sente saudades, e segue em frente de onde parou a sua caneta nova...

A vida é só um instante triste. Felicidade existe quando se aprende a sonhar.
(Cáren Brum)




martes, 23 de noviembre de 2010

não saberei o que deixei de ser
e as poesias não escritas
na involução que abandono
por ir, não perco mais do que encontro

da infância agridoce sob qualquer esquecimento
entre brinquedos e crianças guardadas sem pó
àquela adolescência com esperanças de açúcar
fiz-me adulto
homem-porto das chuvas embebidas em arte e solidão

lembro-me mais dos sentimentos os quais tentei apagar
fui mais feliz quando não sabia que ter memória
era sentir saudade
por isso, guardo vida em anagrama
na alma que levo de mim
e trago do mundo

lunes, 23 de agosto de 2010

Don Presente

acuéstate de nuevo en la cama y tradúceme una canción hermosa
haz de mi rostro tu gota y pez entre tus manos convexas
desenlaza mi armadura de tiras com una sonrisa abotonada
cuéntame quien eres ahora

critica mi mal humor matutino y rectifica mi inglés
prepara algo a fuego lento mientras yo elijo los frutos
quedate cerca después que disfrutemos uno del otro bajo la música corriente
en tiempo, suspéndeme del lecho y llévame a pasear sobre ti

pídeme una composición sin letra después de apagar la luz
desécha tu traje para que yo dibuje tus trazos en el oscuro
cuenta tus sonidos a las paredes y entrégalos a las fibras puras
llámame como quieras, por un nombre nuevo o por el título de este poema extemporáneo.

Presente

deita de novo na cama e traduz-me uma canção bonita
faz da minha face gota e peixe entre tuas mãos convexas
desenlaça minha armadura de fitas com um sorriso abotoado
conta-me quem és agora

critica meu mal humor matutino e repara o meu inglês
prepara algo a fogo lento enquanto eu escolho os frutos
fica perto depois de desfrutarmos um do outro sob a música corrente
em tempo, suspenda-me do leito e me leva passear sobre ti

pede-me uma composição sem letra após apagar a luz
afasta as vestes para eu desenhar teus traços no escuro
conta meios sons às paredes e os entrega às fibras puras
chama a mim como queira, por um nome novo, ou pelo título deste poema extemporâneo...

martes, 17 de agosto de 2010

pués











te sueño como si estuvieras muerto
te escribo como si estuvieras vivo
te leo como si jamás estuvieras aquí

pués

me duele como ayer
recuerdo como anteayer
lo amo como siempre

su lluvia sola

La lluvia cayó al suelo
y sintió dolor
Escurría llorosa en los margenes
doblava las esquinas
se encontraba con los postes
(Sin estuario) se cumplió transparente
bajo la luz
y la sombra de los edificios
acarició a quien dormía
...Inspiró a los poetas

lunes, 9 de agosto de 2010

sua chuva só



A chuva caiu ao chão sem terra
e doeu-se
Escoava chorosa às margens
dobrava as esquinas
encontrava-se com os postes
(sem estuário) cumpriu-se transparente
sob a luz
e a sombra dos prédios
Afagou quem dormia
...Inspirou os poetas

martes, 15 de junio de 2010

Crônicas de Amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem,

caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes

teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão.

O verdadeiro amor acontece por empatia,

por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada,

veste-se bem e é fã do Caetano.

Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá,

ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam,

pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante.

Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu,

você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho,

você gosta de praia e ela tem alergia a sol,

você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo,

nem no ódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado,

o beijo dela é mais viciante do que LSD,

você adora brigar com ela e ela adora implicar com você.

Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga,

ele veste o primeiro trapo que encontra no armário.

Ele não emplaca uma semana nos empregos,

está sempre duro, e é meio galinha.

Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado

e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga.

Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas.

Por que você ama este cara?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais.

Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman,

mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu

e seu corpo tem todas as curvas no lugar.

Independente, emprego fixo, bom saldo no banco.

Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador

e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo.

Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa.

Quem dera o amor não fosse um sentimento,

mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC.

Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas,

bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é!

Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer.

É a contingência maior de quem precisa.

(Arnaldo Jabor)

viernes, 30 de abril de 2010

Se me faz mal


se me faz mal, eu ligo meu rádio para escapar
se me faz bem, eu vou ao meu circo para imaginar
se me faz mal, eu digo a chuva que apague
as minhas memórias sem pincel
ao vento indigente
que soa o rosto da mente,
antes de dormir
...para sempre, o coração.

Diet

É certo dizer que eu e Lady Silvia não formamos uma família típica de comercial de margarina. Eu, o filho único, de gestos oníricos e hábitos silenciosos. Ela, a mãe-pai, filha e irmã dedicada, como uma peregrina a pé; carregando toda a inquietude de ser quatro, enquanto amo apenas uma.

No entanto, a principal diferença do nosso café da manhã tornou-se, além de evidente, inegável por volta dos meus 17 anos. E, seguramente, não era a minha dieta especial de recém diabético – pães integrais sem sacarose, sem sal, sem gordura e, sem gosto. Havia outra coisa a digerir, mas que também, um dia, poderá ser propaganda.

Até certo sábado em 2006, Davi, o garoto inteligente que nos visitava com freqüência, era tido como meu “amigo”. Minha mãe e ele compartilhavam minha guarda salutar, escondendo os doces de mim. Porém, o que era para ser um desjejum normal a três, se converteu em um fato inédito e em mais uma prova de amor incondicional.

Ela, tão certa da resposta quanto nós da questão – sem pensar muito –, perguntou: Vocês são namorados? E rapidamente, para que a demora não conduzisse à inverdade, confirmei rubro. Então, mirando atenciosa, como a primeira vez que me observara colorir, ao intervalo de um abraço rente, reiterou: Eu te amo, sem “mas” e açúcar.

martes, 30 de marzo de 2010

vão

Eu tentei tirá-lo do coração. Mas foi assim em vão, como apagar uma linha da minha mão ou escrever todo o amor em rima...Ainda o amo.

viernes, 19 de marzo de 2010

Jônatas e Davi

O trecho a baixo é uma das passagens narradas pelo profeta Samuel acerca da amizade próxima, fraterna, talvez até bem mais do que isso, entre Davi, futuro rei de Israel, e Jônatas, filho de Saul, o rei de fato na época em que a história começa. A amizade entre ambos há séculos é estudada por exegetas para determinar sua verdadeira natureza, se ambos partilhavam uma inocente amizade masculina, se sentiam mútua atração homossexual casta ou se viveram um relacionamento amoroso - físico, inclusive.


Da Bíblia, acontecido em torno do ano 1060 aC.

I Samuel 18:1-4

E aconteceu que, assim que Davi acabou de falar ao rei Saul, a alma de Jônatas (filho de Saul) se ligou à alma de Davi, e Jônatas começou a amá-lo como à sua própria alma.
... Jônatas e Davi fizeram um pacto, pois aquele o amava como à sua própria alma. Além disso, Jônatas despiu-se da túnica sem mangas que usava e a deu a Davi, e também suas vestes, e até mesmo sua espada, e seu arco, e seu cinto.

I Samuel 19:1-7 - I Samuel 20:1-43

Quando Davi estava sendo perseguido - v.41-42:
Davi saiu então detrás da colina, lançou-se com o rosto por terra
e curvou-se três vezes; e começaram a beijar-se um ao outro e a chorar um pelo outro . E Jônatas disse a Davi:
'Vai em paz. Quanto ao juramento que nós dois fizemos no nome do Senhor, que o Senhor seja testemunha entre mim e ti, e entre
a minha descendência e a tua.'

I Samuel 23:16-18 - II Samuel 1:26

Do lamento de Davi na morte de Jônatas:
'Tenho o coração apertado por tua causa, meu irmão Jônatas. Tu me eras imensamente querido. Teu amor me era mais precioso que o amor das mulheres.'

martes, 2 de marzo de 2010

Cartas a Davi


o que andava parede
disse quinze para algo
e parou

no ar finado sob o estio quente
soprado como teatro
na minha mão

ao lado janela em corredor viúvo
a folga lúgubre sentou
lia pelo tinteiro...

viernes, 5 de febrero de 2010

Qual é a coisa mais generosa que você já fez?

Chovia, e a Taíse se despedia de mim por msn. Era uma fase difícil para ambos. Mas dessa vez não se tratava de uma saudação antes de uma viajem intermunicipal. Minha colega e amiga planejava dar um adeus irremediável às angustias e às questões que penteavam seus pensamentos desde a infância. Eu... eu estava no trabalho, chorando de frente ao computador. Talvez com a mesma gana de cessar. Todavia, mantido sob a intuição de ajudar, parti.

No caminho, parei com pressa em uma padaria e escolhi um doce - lembrei de uma matéria que falava dos benefícios do chocolate ao coração.

No ônibus, o presente ia comigo, dentro da minha muchila nova e molhada por conta do meu esquecimento (guarda-chuva).

Quando desci, o temporal se converteu em chuvisco, e este em nuvens. A água acumulada no pavimento rumava às janelas de sol, antes dos pássaros beberem. Na rua longa, segui reto, encontrando o vento, lendo placas, plantas, pessoas.

Pessoas... Era apenas uma que buscava. Então entrei em um casarão antigo, e depois de subir dois lances de escada, a encontrei. Lá ela fingia que estava, fingia que trabalhava, fingia que gostava da vida que levava. Chamei a lady com os olhos e a abracei de muchila – molhado e tudo – , como que para salvá-la.

Depois de expediente, Taise retornou para casa envolvida por novos sentimentos, vendo o dia se pôr. E, ao invés de tomar o frasco de comprimidos, comeu um doce de cacau. O chocolate que, no meio daquela tarde, junto com um abraço úmido, eu lhe dei.

Farol


Eu não deixei o nosso amor, apenas guardei no farol de algum lugar. Onde seja bem-vindo, iluminado. Toca-se o céu, como um instrumento que só ouvi quando não escutava direito. Eu não deixei o nosso amor, apenas guardei para falar, para buscar, no farol de algum lugar.

jueves, 4 de febrero de 2010

Meu hábito

quero ser acostumado a ter você
eu quero me acostumar com o cheiro do seu corpo,
com o gosto do seu beijo
e com a paz de estar sobre o seu peito,
depois de fazermos amor

quero me acostumar com o seu jeito
abduzir, naturalmente, dos seus trejeitos
– da face e do gesticular – alguns para mim,
como um lembrar da parte sua, adentrada na minha ao pertencer...
e da mudança sutil que lhe amar me fará.