É certo dizer que eu e Lady Silvia não formamos uma família típica de comercial de margarina. Eu, o filho único, de gestos oníricos e hábitos silenciosos. Ela, a mãe-pai, filha e irmã dedicada, como uma peregrina a pé; carregando toda a inquietude de ser quatro, enquanto amo apenas uma.
No entanto, a principal diferença do nosso café da manhã tornou-se, além de evidente, inegável por volta dos meus 17 anos. E, seguramente, não era a minha dieta especial de recém diabético – pães integrais sem sacarose, sem sal, sem gordura e, sem gosto. Havia outra coisa a digerir, mas que também, um dia, poderá ser propaganda.
Até certo sábado em 2006, Davi, o garoto inteligente que nos visitava com freqüência, era tido como meu “amigo”. Minha mãe e ele compartilhavam minha guarda salutar, escondendo os doces de mim. Porém, o que era para ser um desjejum normal a três, se converteu em um fato inédito e em mais uma prova de amor incondicional.
Ela, tão certa da resposta quanto nós da questão – sem pensar muito –, perguntou: Vocês são namorados? E rapidamente, para que a demora não conduzisse à inverdade, confirmei rubro. Então, mirando atenciosa, como a primeira vez que me observara colorir, ao intervalo de um abraço rente, reiterou: Eu te amo, sem “mas” e açúcar.