viernes, 30 de abril de 2010

Se me faz mal


se me faz mal, eu ligo meu rádio para escapar
se me faz bem, eu vou ao meu circo para imaginar
se me faz mal, eu digo a chuva que apague
as minhas memórias sem pincel
ao vento indigente
que soa o rosto da mente,
antes de dormir
...para sempre, o coração.

Diet

É certo dizer que eu e Lady Silvia não formamos uma família típica de comercial de margarina. Eu, o filho único, de gestos oníricos e hábitos silenciosos. Ela, a mãe-pai, filha e irmã dedicada, como uma peregrina a pé; carregando toda a inquietude de ser quatro, enquanto amo apenas uma.

No entanto, a principal diferença do nosso café da manhã tornou-se, além de evidente, inegável por volta dos meus 17 anos. E, seguramente, não era a minha dieta especial de recém diabético – pães integrais sem sacarose, sem sal, sem gordura e, sem gosto. Havia outra coisa a digerir, mas que também, um dia, poderá ser propaganda.

Até certo sábado em 2006, Davi, o garoto inteligente que nos visitava com freqüência, era tido como meu “amigo”. Minha mãe e ele compartilhavam minha guarda salutar, escondendo os doces de mim. Porém, o que era para ser um desjejum normal a três, se converteu em um fato inédito e em mais uma prova de amor incondicional.

Ela, tão certa da resposta quanto nós da questão – sem pensar muito –, perguntou: Vocês são namorados? E rapidamente, para que a demora não conduzisse à inverdade, confirmei rubro. Então, mirando atenciosa, como a primeira vez que me observara colorir, ao intervalo de um abraço rente, reiterou: Eu te amo, sem “mas” e açúcar.