perdi a abotoadura, o laço e o presente nessa chuva cinza
ando por ai de meias, escorregando, quitando do algodão a brancura
vendo corredores e cegos indo, para sempre, na mesma direção
onde as mãos gesticulam, gesticulam, gesticulam, caem
o cancioneiro segue tocando no trem, o trilho, e cada queda
que não faz ruído, mas ensurdece os batimentos do coração