domingo, 7 de septiembre de 2008

O Poeta e o Bailarino

Um tinha o dom de grafar o transcendente, a sensação

o outro, de representar a solfa ao mover-se no tempo

um desenhava, sobre o papel com linhas, a flora no alfabeto latino

o outro, elevava o corpo à alma dos instrumentos de som

um levava consigo um bloco de anotar, em detrimento da memória

o outro, trazia na mente cada passo, cada nota, cada salto do chão

um queria fazer-se abstrato, porém claro à brisa inspiradora

o outro, objetivava o ar, o solo, a física do cadenciado

porém, quando acharam-se, não houveram versos e tão menos rodopios

o lápis do escritor se pôs a rabiscar marchas e ritmos aéreos, os pés do dançarino redigiam algo recôndito no plano, sem intenção

fora em um instante de luz oscilante, acerca de um cubo, a caminho de um beijo e durante um olhar, que o poeta e o bailarino – antes do sino –, compuseram uma canção.

1 comentarios:

Anónimo dijo...

ainn, jhonny, que lindo!

adoooro o jeito que vc escreve!!!
=****