_Posso correr e, correndo, livrar-me destes pingos para não ter de abrir o meu aramado.
Então, com uma cesta de frutos e um objeto que te pareceu estranho, desci. Ocultei as minhas asas para seguir ao teu lado, sobre a terra, levado pelas tuas mãos simples, assegurado pelas tuas pernas leves. E, ao perceber os teus torpes medos e a tua vontade latente de voar, teci as tuas com orégano e as bordei com sementes vermelhas enquanto recitava uma poesia branda.
Mostrei-te o céu através de uma janela de brigadeiro, como abrir o par leve que te elevaria sobre os homens e, também, como se afastar do ar turbulento.
Assim, após a extensa lição, com as minhas asas úmidas e incrustadas de açúcar, a lousa se apagou; fechaste os teus olhos e eu te revelei:
_Vês aquelas nuvens doces que viraram água, logo ali, ali atrás? Observe que elas molharam os nossos caminhos de poeira para que seguíssemos com a alma límpida até as bordas do aqui.
_ Agora, podes voar...voar... Assim como eu pude e poderei ao desanuviar a minha guarnição branca e os cristais caírem ao solo.
Alegre, sem parar, mas pausadamente, segui com a instrução:
_O céu é infinito! Tenho tanto mais a te mostrar, meu caro... Lá em cima, lá em cima de tudo! Voe comigo (?)!
E tu, talvez grato, abriste os teus pequenos olhos e, inibido como se não tivesse real coragem, fitou-me a face – fixando a tua mirada ao meu queixo –, extraiu-me uma larga pena e, abrindo aquela mesma janela, partiu. Entre as nuvens pouco claras e algo que parecera o sol.
Imediatamente o segui clamando em voz alta:
_O que houve?! O que houve?! Por favor, o que houve?! EU TE AMO!...
Mas as minhas asas hemorrágicas e pesadas dos cubos doces pouco abriram. Tentei, tentei, tentei. Ergui-me do chão. Todavia, tornei a volitar baixo; recaindo entre os pomares de uma serra hostil.
...E ao acordar da queda, em sofreguidão errante, notei o curso imperfeito. No qual, as pedrinhas açucaradas haviam se acumulado no meu corpo de penas; durante uma caminhada só, em dois...
Eis que, além da minha claridade, dos meus frutos e da minha fé, esquecendo de cobrir a mim mesmo, havia cedido, a ti, o meu guarda-nuvens.
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