domingo, 7 de septiembre de 2008

Eu me casaria hoje

Eu descumpriria o script e casaria hoje. É, hoje. Jovem! ...Em uma chácara terna, usando fraque e cartola brancos, como um mágico. Ou talvez de pés descalços e roupas de algodão. Nas mãos apenas um lírio, como um hippie.

Não me uniria somente quando a minha alma sentisse a fadiga da solidão e se cansasse de amanhecer sem companhia, de frente para a sacada, diante, apenas, dos raios de sol; o faria agora – nesse período de energia –, pela gana de estar junto, ao lado. Dividir, multiplicar, despertar e assistir os olhos do outro se abrirem vagarosamente, como uma persiana acetinada. E acordar tão perto de maneira que as fragrâncias distintas dos corpos, dos lençóis, da manhã e da noite anterior se confundissem, se misturassem, se olvidassem dos originários.

Tão menos ataria tal laço após, então, dos meus planos de carreira e aquisição de determinados bens tangíveis, ovacionados. Não o adiaria por características e pressões da idade, por apelo midiático ou idiossincrático; preenchendo lacunas de uma curiosidade evanescente com elementos intermitentes. Eu matrimoniaria hoje!
O meu par não precisaria ter um corpo sarado, ser vegetariano, poliglota, usar roupas de marcas com dois C’s, dois T’s, dois N’s, fazer faculdade, possuir um carro ou ter status no seu nicho social. A mim bastaria que houvesse arte no seu ser inerente, que eu pudesse recostar sobre o seu peito – entre os pulmões – e, ao vibrar do diafragma, auscultar o violino que me atrairia até ali, àquele momento.

O dia do casamento não precisaria ser em um Valentine’s Day, no primeiro dia da semana, em Madrid. Quiçá em uma sexta-feira da paixão, sábado de aleluia ou dia de finados, em uma cidade próxima.
As alianças não careceriam ser de ouro, prata, pedras preciosas. Na verdade, adoraria que fossem de um pedaço de fita mimosa. E, assim, tivéssemos que todos os dias refazer o laço na mão do outro, como se disséssemos a cada rotar da terra: “Eu não te esqueci”.

Eu descumpriria o script e casaria hoje. É, hoje. Jovem! ...Em uma chácara terna, usando fraque e cartola brancos, como um mágico. Ou talvez de pés descalços e roupas de algodão. Nas mãos apenas um lírio, como um hippie... Se alguém, além de mim, pudesse sair-se por um instante e pensar simples: assim.

7 comentarios:

Anónimo dijo...

nuss...tens uma linha de pensamento linda! as palavras saem de teus dedos, mas vem do corãção, sinto isso! tu és encantador!

jR. dijo...

admiro esse talento!! congratuluj!!
adorei a parte 'Quiçá em uma sexta-feira da paixão' remete ao espalhol, mas faz menção ao fato de termos esta palavra também (o que poucos sabem) legal!!

Mateusz

Anónimo dijo...

Johnny, q lindu isso!!!!!!!! vou pôr no meu orkut, com créditos!! bjs

Anónimo dijo...

Johnny, q lindu isso!!!!!!!! vou pôr no meu orkut, com créditos!! bjs

Unknown dijo...

Nossa....Eu estou amando ler o que vc escreve.....cada dia q passa me torno mais seu fã. Sucesso!

Anónimo dijo...

lendo este texto me senti como se estivesse dentro dele...
lindo!
a simplicidade de "fitas mimosas" e a profundidade do sentimento se mesclam de uma forma surreal...

AMEI =)

Anónimo dijo...

Ola