Cáren Brum e eu nos conhecemos logo que ela chegou em Caxias, no final de 2006. Na época, trabalhava como promotora de vendas de uma financeira e morava sozinha. Eu a chamava de “lábios sintéticos”, nome este que juramos batizar a banda de música latina a qual teríamos juntos um dia.
Ela sempre falava dos seus projetos, e das pessoas e coisas deixadas em Bagé para concretizar aqui seus sonhos e ambições. Mais tarde, a família veio à cidade para morarem todos numa casa alugada, no bairro Esplanada. Algum tempo depois, ela passou a trabalhar na Secretaria da Cultura, juntou dinheiro e construiu a casa própria no Desvio Rizzo.
Enquanto fomos vizinhos, além de amigos, éramos também colegas de teatro, arte e aforismos. Saíamos juntos para baladas, eventos culturais e quase sempre trocávamos presentes poéticos. Se eu escrevesse um conto, ela fazia dele uma canção. Se eu compusesse algo, ela arranhava uma melodia.
Lady Brum - como também eu a chamava - tinha Lúpus, mas nunca se permitiu abater pela doença. Houve um período em que ela precisou fazer um tratamento que, possivelmente, a faria perder todo o cabelo. Porém, ao invés de se depreciar, ela olhou para mim rindo, e disse: "Você que entende de moda, vá lá e desenha uns turbantes pra mim!". Por sorte, não caiu nem um fio e eu acabei desenhando uma roupa de festa.
Minha amiga era bela, intensa, fortaleza frágil em seu interior. Romântica, costumava dizer que nasceu em Antares. Era crédula, sobretudo em si mesma. Sempre falava com convicção sobre suas ideias e sentimentos iconoclastas. Quem os escutava podia quase tocá-los: vivê-los com ela.
Modelo, atriz, baterista, produtora, estudante nerd da computação... Cáren foi tudo o que quis ser.
No seu blog obsoleto, em formato de carta, ela diz: “Ser, de toda alma e todo o coração. Ser apenas ser-humano. E eu, insana, comparo a razão de uma existência grandiosa, viva, milagrosa, talvez até inteligente, com minha caneta nova”. Ao final desse texto, entre parênteses, como se fosse uma rubrica teatral, está o ingênuo lembrete: “(a terminar...)”.
Quem fica sente saudades, e segue em frente de onde parou a sua caneta nova...
A vida é só um instante triste. Felicidade existe quando se aprende a sonhar.
(Cáren Brum)

1 comentarios:
Conheci a Caren de vista, em uma Feira (Mercopar), uma moça muito bonita..... é revoltante oque aconteceu a ela.... as vezes ficamos sem acreditar... uma garota que tinha um futuro belissimo pela frente, e assassinada por um monstro, mimado e inconsequente, que não sabe o valor da vida e que pensa que é Deus..... não sei pq esse cara ainda está nas ruas.... o lugar dele é na cadeia, apodrecer lá..... queremos justiça, pq a vida da jovem Caren e de muitas Caren's por esse mundo ninguem pode trazer de volta.... á família fica minhas sinceras condolências.... á Caren está no céu, num lugar maravilhoso..... mas é impossivel de acreditar, a ficha não cai, é revoltante..... ela era especial pelo fato de ter amigos como vc querido, escreveu lindas palavras á ela..... Caren, todos estamos rezando por ti!!!! Vai Com DEUS linda MISS!!!
Sil.
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