Chovia, e a Taíse se despedia de mim por msn. Era uma fase difícil para ambos. Mas dessa vez não se tratava de uma saudação antes de uma viajem intermunicipal. Minha colega e amiga planejava dar um adeus irremediável às angustias e às questões que penteavam seus pensamentos desde a infância. Eu... eu estava no trabalho, chorando de frente ao computador. Talvez com a mesma gana de cessar. Todavia, mantido sob a intuição de ajudar, parti.
No caminho, parei com pressa em uma padaria e escolhi um doce - lembrei de uma matéria que falava dos benefícios do chocolate ao coração.
No ônibus, o presente ia comigo, dentro da minha muchila nova e molhada por conta do meu esquecimento (guarda-chuva).
Quando desci, o temporal se converteu em chuvisco, e este em nuvens. A água acumulada no pavimento rumava às janelas de sol, antes dos pássaros beberem. Na rua longa, segui reto, encontrando o vento, lendo placas, plantas, pessoas.
Pessoas... Era apenas uma que buscava. Então entrei em um casarão antigo, e depois de subir dois lances de escada, a encontrei. Lá ela fingia que estava, fingia que trabalhava, fingia que gostava da vida que levava. Chamei a lady com os olhos e a abracei de muchila – molhado e tudo – , como que para salvá-la.
Depois de expediente, Taise retornou para casa envolvida por novos sentimentos, vendo o dia se pôr. E, ao invés de tomar o frasco de comprimidos, comeu um doce de cacau. O chocolate que, no meio daquela tarde, junto com um abraço úmido, eu lhe dei.
viernes, 5 de febrero de 2010
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