sábado, 3 de enero de 2009

Flor na Bota


Eu sou criativo. Inquietamente criativo. E vejo a vida de uma forma mais lúdica. Poético? Talvez... Posso dizer que eu vejo a realidade que os outros fingem ser a fantasia.
Gosto de ter conversas despretensiosas de sentido com estranhos e "pretendentes"; e quando me proponho metas, logo idealizo sensações que manterão o meu coração cheio enquanto todo o resto acontece.

Eu sou um amigo do tipo Felícia, que abraça, beija, (im)põe uma fita mimosa aos cabelinhos e serve comida até o(s) convidado(s) inchar(em)...
E, também:
sou um alguém que já chorou por amor;
que já enviou flores vermelhas e bombons dourados;
que já se doou e a recíproca não fora verdadeira;
que já beijou na rua sob a noite;
que já dormiu triste e acordou feliz por saber do amor;
que já acordou triste e dormiu feliz, por saber do amor;
que já  desejou não acordar pela ausência do amor;
que já quase rendeu a essência ao mundo,
mas que sobreviveu ao dilúvio do narcisismo, do egocentrismo, e do antialtruísmo humano.

Já amei muito, e não desisto. Isso tudo é tão inevitável e providencial!

Eu sou alguém que já se perguntou “onde está o amor?” nos cantos de uma boate, e se sentiu vazio quando não encontrou. Que já teve momentos de efusivas alegrias e de espasmos de pranto no chuveiro, e descobriu, no amor próprio, a brandura do amor eterno.

Eu sou alguém que acha canudos um meio demasiado módico para se tomar um suco de morango...de sentir uma emoção. Eu sou alguém que acorda sempre de lábios vermelhos e pele acetinada, naturalmente.
Quando eu choro, eles também ficam rubros e volumosos.

Eu tomo chá das cinco às cinco, da manhã. Ansiedade!
Sou ansioso e não sei o por que. Talvez o seja porque não sei...
Antes de dormir, se estou muito feliz ou muito triste, fico balançando uma das minhas pernas freneticamente – raspando no colchão – reminiscências das dores oriundas do crescimento ósseo, na infância.

Todos (e até parece que foram muitos) os meus romances, tiverem que, uma vez ou outra, me alimentar e ou me cobrir durante a noite: se me acordo, tenho fome; se não durmo, tenho frio. E se não tenho nem frio e nem fome, tenho sono!

Quando preciso de um conselho recorro aos meus cabelos violino-amendrados, e deito na minha cama a esperar que alguma sugestão me seja inspirada enquanto os enrolo – com a ponta dos dedos – fabricando molas... Isso me parecia desnecessário no tempo pueril, no qual eu passava a tarde recostado na minha avó, chupando pirulitos.

...E quando a desesperança chega aos domingos, feriados, fins de tarde, penso: “Se deu certo com a Cinderela, porque não vai dar certo comigo?”
Aí eu fico rindo da minha latinidade e sigo sem lâminas, apenas com uma flor na bota, para o caso de um passante ter um pouco d’água e terra nas mãos...

1 comentarios:

Anónimo dijo...

Lindo texto, com a sua sensibilidade como sempre, amigo poeta. Continua apaixonado? O bom da vida é estar sempre apaixonado. Não deixe a desilusão enterrar seus sonhos...
bjs