domingo, 5 de octubre de 2008

Taísa Boeira

AQUELA TARDE MORNA


A ausência era uma presença entre eles. Não se aproximavam, não se tocavam. Não precisavam disso. Sentiam o que estava entre eles e que era inevitável. A ausência tinha chegado e tomado conta de vidas sem apego.


Mas algo ainda havia de vivo, algo que os unia em segredo. Que fazia parte dos dois e de mais ninguém. Era um desejo. Um desejo de estarem perto. Perto para se olharem e sentirem.


Naquele dia a ausência viera buscá-la, e a encontrou. Ali parada, tentando chegar e se perdendo pelo caminho. Ele entendeu. Quis mandá-la embora. Quis ir embora. Mas existia uma necessidade insuportável de vê-la e senti-la. Não suportaria a distância e não aceitaria aquela presença.


Não se tocavam, não precisavam disso. Precisavam do calor que os invadia ao estarem perto um do outro. Não era apenas um sentimento. Era a união de tudo, era um amor intenso e insuportável que suportavam sem saber.


Foram indo, indo. Até aquela tarde, a qual contariam inúmeras vezes, uma tarde morna em que tudo aconteceu.


Não saíram do normal, que estranhava muita gente. Chegaram perto, ficaram. E, então, começou aquele intenso calor que ultrapassava os véus e os sonhos, as palavras e os pensamentos e que trazia uma certa felicidade.


Quase sem querer, se tocaram. A mão dela deslizou sobre a dele, e o que de tão intenso até doía, transformou-se em apego às vidas esquecidas.


A vida se tornou mais leve e a felicidade algo transitório. Ninguém se importava de assim ser...Então, aquela presença se foi. E vão lembrar e contar inúmeras vezes, que tudo isso aconteceu em uma pequena tarde morna.

1 comentarios:

Na solidão não há portas dijo...

Olha o que eu achei aqui!!!

ora ora ora