junho/2008
eu gostava de você
mesmo quando você me derrubava da cama
mesmo quando você esquecia de avisar a sua mãe que eu estaria no almoço
mesmo quando você chegava sem ter tomado banho, nem feito a barba (havia sempre um sorriso limpo)...
eu gostava de você mesmo quando você desconsiderava os meus poemas
mesmo quando você movia os lábios para dizer o que você sentia, e tudo o que saía era um “eu te adoro”
mesmo você tendo quebrado o passarinho cantante da minha mãe...
eu gostava de você mesmo quando você dormia à tarde e eu deitava ao seu lado mesmo sem sono algum...
...eu encostava o meu ouvido nas suas costas, escutava os seus respiros e as batidas descansadas do seu coração.
mesmo quando eu dizia “eu te amo” enquanto você sonhava profundamente, por medo de dizer enquanto o seu olho estava aberto.
mesmo quando você lia, lia e lia: eu gostava de você
mesmo quando seus tapas de amor doíam, eu gostava de você
mesmo quando você falava juridiquês só pra se sentir mais inteligente
mesmo quando você me jogava água fria enquanto eu tomava banho quente
mesmo quando você comia todo o meu queijo e o meu pão integral
mesmo quando você saía cedo, logo pela manhã para estudar ou fazer outras coisas que lhe interessavam
mesmo quando você fazia uma massa quatro queijos parecer um pneu branco
mesmo quando você me dava uma barra de chocolate de um quilo, na páscoa
mesmo quando você foi pra festa da Maitê, enquanto eu estava no bloco cirúrgico do hospital: eu gostava de você mesmo assim
mesmo quando eu lhe mandei rosas vermelhas e bom-bons dourados e você disse, apenas: "obrigado"
mesmo quando você se permitiu beijar outro na minha frente, por motivos que eu já não entendo mais
mesmo quando você não me pediu desculpas, por motivos que eu conheço bem
mesmo quando você se dispôs a me dizer “hOla”, ainda que se tratando de uma atitude hipócrita
mesmo quando você não aparece nas festas que eu fotografo...mesmo quando você aparece nas festas que eu fotografo
mesmo eu não reconhecendo mais o ítalo-garoto distraído que acreditava no amor, e pensava “Deus, será que um dia eu vou encontrar alguém pra mim?”
eu gostava de você...mesmo... por que um pedaço das suas costas ainda encosta-se nas minhas...
com certeza você não é/era o príncipe azul que eu sonhei para mim, mas mesmo “sem poemas e sem flores, com defeitos e erros”...eu aprendi a amá-lo...mesmo assim.
"em tempo:" e ainda, é você a causa da minha efêmera alegria ao recordar, a causa do meu choro durante o banho demorado, a causa da minha nota baixa em Cinema, da minha consulta ao psicólogo amanhã, da minha viagem ao fim do mês, da minha arte, do meu isolamento aos cantos das boates, dos inúmeros abraços que distribuo e dos que eu preciso. Por que eu gosto de você, de longe, mesmo assim...
jueves, 16 de octubre de 2008
Mesmo Assim
Publicado por _ en 19:17
Etiquetas: Cartas a Davi
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